BTG está otimista com tendências no mercado de ações; vê DCM fraco no 2º tri
O BTG Pactual está otimista com as tendências observadas no mercado de ações brasileiro (ECM), enquanto enxerga um mercado de dívida corporativa (DCM) ainda fraco no segundo trimestre, afirmou o presidente-executivo do maior banco de investimento da América Latina, Roberto Sallouti.
"Nós estamos bastante encorajados com o que estamos vendo nos mercados de capitais de ações. Tivemos fluxos significativos para a América Latina e, de forma geral, para mercados emergentes. Isso desacelerou um pouco recentemente, mas conseguimos realizar o primeiro IPO em cerca de cinco anos", afirmou o executivo em teleconferência de analistas nesta segunda-feira, após divulgar mais cedo o balanço do primeiro trimestre.
A Compass Gás e Energia, controlada pela Cosan, precificou na última quinta-feira oferta pública inicial de ações (IPO), movimentando R$3,2 bilhões e encerrando uma seca de IPOs de quase cinco anos na B3.
Em relação a DCM, Sallouti afirmou que deve o segundo trimestre deve ser fraco, mas deve melhorar depois disso. "Esperamos que comece a melhorar no terceiro trimestre", acrescentou.
No primeiro trimestre, a divisão de banco de investimentos do BTG Pactual participou de 10 operações de ECM, que movimentaram US$628 milhões. No quarto trimestre, foram 8 operações (US$369 milhões) e um ano antes, duas (US$175 milhões).
Em DCM, o BTG participou de 36 operações no primeiro trimestre, que totalizaram US$3,664 bilhões. No quarto trimestre, haviam sido 46 transações (US$4,584 bilhões) e um ano antes, 29 (US$1,987 bilhão).
Ainda assim, DCM permaneceu como o principal componente de receita da divisão de banco de investimento, que totalizou R$628 milhões, "apesar do aumento da volatilidade nos mercados secundários no final do trimestre".
Na bolsa paulista, as units do banco reverteram os ganhos iniciais e recuavam 2,01%, a R$57,47 no início da tarde desta segunda-feira, acompanhando a piora no mercado como um todo, apesar do lucro acima do esperado por analistas.
"Embora os investidores estivessem preocupados com o potencial impacto do ambiente de mercado nas receitas do primeiro trimestre, o BTG Pactual ainda conseguiu apresentar mais um desempenho robusto", afirmaram analistas do Safra liderados por Daniel Vaz.
"O trimestre recoloca no radar a meta de lucro líquido de mais de R$20 bilhões em 2026 e deve impulsionar um maior otimismo em relação às ações", afirmaram em relatório a clientes, reiterando recomendação "outperform" para os papéis.
CRÉDITO
De acordo com o Sallouti, a carteira de crédito do BTG está com uma performance melhor do que a instituição havia previsto inicialmente até o momento, tanto no segmento corporativo quanto no de financiamento ao consumidor. "Já vínhamos concedendo crédito considerando um cenário mais adverso", afirmou.
No segmento de pequenas e médias empresas (PMEs), o executivo citou que o banco ainda está principalmente em financiamento de cadeia de suprimentos e antecipação de recebíveis de cartão de crédito. "Temos alguma exposição a essas linhas com garantias governamentais, mas ainda é pequena, embora esteja crescendo", acrescentou, afirmando que, até agora, não há problemas relevantes.
No financiamento ao consumidor, Sallouti afirmou que talvez em algum momento se observe um aumento nas provisões. "No entanto, eu diria que isso deve ocorrer daqui a dois ou três trimestres, dado que as recentes medidas do governo continuam beneficiando o consumidor", estimou.
Questionado sobre mudanças recentes envolvendo o crédito consignado privado e o apetite do BTG ao segmento, Sallouti afirmou que elas afetam aproximadamente 15% da produção de financiamentos, principalmente nos segmentos de maior risco, o que provavelmente significa que o banco deixará de atuar nesses casos. "Mas, no geral, até agora isso não teve um impacto relevante no total — o efeito está mais concentrado nesses diferentes níveis de risco."
No final de abril, foi implementada uma nova regra pelo governo federal que prevê punições para bancos que cobrarem taxas de juros "muito acima" da média praticada pelo mercado nos empréstimos com desconto em folha de trabalhadores privados. A decisão não define um teto de juros específico, mas uma taxa de referência "calculada com base no desvio padrão do volume financeiro das operações".
No primeiro trimestre, o portfólio de crédito ao consumidor do BTG alcançou R$73,6 bilhões, crescimento de 14,1% na base trimestral, impulsionado principalmente pela carteira de crédito consignado, que avançou de R$22,1 bilhões para R$28,8 bilhões. Em abril, o BTG concluiu a transação da Meu Tudo, que vê fortalecendo ainda mais o posicionamento no segmento.
Ao comentar sobre o Novo Desenrola, o presidente do BTG disse que enxerga um efeito de "neutro a levemente positivo" para o banco PAN.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.