Braskem decide pedir recuperação extrajudicial para reestruturar US$10,9 bi em dívidas
A Braskem aprovou o pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras. A medida possui foco estritamente financeiro e não impacta fornecedores ou clientes. A iniciativa busca assegurar estabilidade jurídica às negociações, após o caixa da petroquímica ser pressionado pela crise no setor, pelo desastre das minas de sal em Alagoas e pela recente recuperação judicial de sua subsidiária nos Estados Unidos.
A Braskem anunciou nesta segunda-feira que seu conselho de administração aprovou o ajuizamento de pedido de recuperação extrajudicial da petroquímica e de certas controladas para reestruturar dívidas de cerca de US$10,9 bilhões.
"Assim que formalizados os documentos pertinentes, fará o protocolo do pedido de recuperação extrajudicial, com o objetivo de assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das suas obrigações financeiras quirografárias no montante aproximado de US$10,9 bilhões", afirmou a Braskem em fato relevante.
A Reuters noticiou mais cedo sobre o pedido de recuperação extrajudicial, confirmando informação antecipada pelo jornal O Globo.
"Entendemos que a notícia já era amplamente esperada, considerando o fim da liminar que garantia proteção por 60 dias", afirmaram analistas do Citi em relatório a clientes após as primeiras notícias sobre o pedido.
De acordo com a Braskem, a recuperação extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, "e não abrange quaisquer obrigações da companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos".
A medida ocorre depois que a Braskem Idesa, uma joint venture entre a empresa brasileira e o mexicano Grupo Idesa, ingressou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) nos EUA na semana passada.
A posição de caixa da Braskem foi severamente afetada pelos preços baixos no setor petroquímico e por um desastre relacionado às suas minas de sal em Alagoas.
A Reuters noticiou, no início deste mês, que a empresa estava em negociações avançadas para um potencial pedido de recuperação extrajudicial no Brasil antes do final de agosto, quando expiraria uma proteção emergencial de 60 dias, ao mesmo tempo em que explorava opções de reestruturação para sua subsidiária mexicana.
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