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Brasil tem matriz energética limpa, mas tem ainda gargalos a resolver para aproveitar o potencial

O País tem 'um potencial que o mundo todo gostaria de ter, energia limpa e barata, mas essa energia precisa ser competitiva', diz Paulo Pedrosa, da Abrace Energia, no Energy Summit

24 jun 2026 - 19h06
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RIO - A transição energética no Brasil é uma oportunidade não apenas de alcançar a sustentabilidade ambiental, mas também de criar uma sociedade mais justa e menos desigual. Entretanto, o País ainda tem alguns gargalos importantes a resolver, sobretudo relacionados ao custo. Esse foi o tom da mesa "Brasil Potência Energética: Da Transição à Liderança Global", nesta quarta-feira, 24, segundo dia do Energy Summit, no Rio de Janeiro.

O encontro reúne os principais nomes do setor, na Marina da Glória, entre os dias 23 e 25, para debater o futuro da energia, da inovação e da sustentabilidade. Participaram da mesa sobre a transição energética do Brasil o chefe de gabinete da Vice-presidência da República, Pedro Guerra; e o subsecretário de implementação da Secretaria Extraordinária de Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Thiago Barral.

O painel 'Brasil Potência Energética: da transição à liderança global' reuniu Thiago Barral, Pedro Guerra e Paulo Pedrosa (mediador)
O painel 'Brasil Potência Energética: da transição à liderança global' reuniu Thiago Barral, Pedro Guerra e Paulo Pedrosa (mediador)
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

O mediador da mesa foi Paulo Pedrosa, da Abrace Energia, entidade que reúne mais de 50 grupos empresariais responsáveis por quase 40% do consumo industrial de energia elétrica do Brasil e 42% do consumo industrial de gás natural.

"O Brasil tem um potencial extraordinário, um potencial que o mundo todo gostaria de ter, energia limpa e barata; mas essa a energia precisa ser competitiva", afirmou Pedrosa, na abertura da mesa. "Será que vamos conseguir realizar essa vocação brasileira e transformar a sociedade?"

'Custo final da energia é alto'

Embora o Brasil tenha uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, o custo final da energia para o consumidor e para a indústria ainda é um dos mais altos do planeta. Esse cenário cria um paradoxo: apesar da abundância de fontes renováveis, o custo regulatório e estrutural pesa tanto que acaba desacelerando ou encarecendo muito a transição energética.

"A transição é uma oportunidade para alavancar o crescimento econômico e social com redução de desigualdade", disse Thiago Barral. "Mas é importante ressaltar que a transição energética também pode ser desperdiçada se perpetuarmos a abordagem primária da economia, que não agrega valor e não resulta na recuperação da indústria no Brasil; precisamos fazer escolhas que garantam a competitividade da nossa matriz elétrica."

Mas houve avanços, segundo Pedro Guerra. "Com a MP 1304 começamos a 'despiorar' a situação", afirmou. "A estrutura de custos energéticos ainda é muito onerosa, sobretudo no setor industrial; a reforma tributária vai trazer desoneração, mas ainda temos muitos elementos do chamado custo Brasil."

A MP a que se refere Guerra — já convertida em lei pelo Congresso Nacional em 2025 — trouxe mudanças estruturais importantes, tanto na expansão do mercado livre de energia, quanto na regulamentação da geração de energia solar e eólica.

Mas esse não é o único gargalo do setor. Para Guerra, o setor de energia no Brasil sofre de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) por acumular muitos objetivos estratégicos — alguns deles contraditórios.

"Está faltando um pouco de ritalina ao setor energético brasileiro para poder ter mais foco", disse Guerra, se referindo ao remédio usado para dar mais concentração aos portadores do transtorno e ao fato de o setor ter múltiplos objetivos. "Isso se deve, claro, a um histórico que já priorizou a industrialização, a interiorização do desenvolvimento, a integração da rede, a diversificação das fontes, a sustentabilidade, a inclusão.

Estadão
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