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Energia em xeque: Como a crise internacional desafia a estabilidade e a autossuficiência dos países

A estabilidade e a diversificação da matriz energética são aliados no Brasil nessa questão, dizem especialistas no Energy Summit, nesta quarta-feira, 24, no Rio de Janeiro

24 jun 2026 - 17h57
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RIO - Diante de incertezas geopolíticas e tensionamento do cenário energético global, países e blocos econômicos correm contra o tempo para assegurar sua autossuficiência. O Brasil se destaca pela estabilidade e diversificação da matriz energética. E o que disse Tomás von Atzingen Cardoso, diretor da Vibra Energia, no painel Energy and Geopolitics: Power, Security, and Global Competitiveness no Energy Summit, nesta quarta-feira, 24, no Rio de Janeiro.

"O mundo está passando por um conflito global e por volatilidade na cadeia de suprimentos, mas o Brasil se mantém estável e resiliente por possuir diversas fontes de energia para manter sua autossuficiência. Um ponto muito positivo tem sido a nossa entrada, nos últimos 60 anos, em outras matrizes, como os biocombustíveis", diz Von Atzingen.

Von Atzingen lembra que o Brasil respondeu ao choque do petróleo dos anos 1970 com a implementação e a expansão em larga escala de biocombustíveis
Von Atzingen lembra que o Brasil respondeu ao choque do petróleo dos anos 1970 com a implementação e a expansão em larga escala de biocombustíveis
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Von Atzingen enfatizou a resposta brasileira para um destes choques mundiais, nos anos 1970, foi a implementação e expansão em larga escala de biocombustíveis. A medida estimulou de forma expressiva a economia doméstica e ajudou diretamente a absorver o impacto dos preços do diesel no mercado internacional. Atualmente, quase 30% do mercado nacional é abastecido por biocombustíveis, uma realidade viabilizada pela dinâmica combinada entre uma infraestrutura robusta e a diversidade da matriz energética.

O painel debateu como a conjuntura global afeta os mercados locais e internacionais, destacando o papel estratégico do Brasil e as novas fronteiras tecnológicas. As atuais instabilidades internacionais configuram, na prática, um ambiente de conflito global, caracterizado por uma extrema volatilidade na cadeia de suprimentos, de acordo com Navid Samandari, presidente do conselho de administração da BattMan Energy.

A transformação digital e a gestão da informação surgiram como fatores decisivos para o futuro da competitividade e da segurança energética global. Samandari cita que o desenvolvimento dos data centers e da inteligência artificial impactam diretamente na produção e prospecção de novas fontes de energia.

"Dados são o novo petróleo. Eles são uma grande oportunidade para ajudar a viabilizar e conduzir os projetos que precisam ser executados. Tudo o que surge disso, a expansão dos data centers, a evolução da inteligência artificial, impacta diretamente na demanda e na geração de novas energias em novas regiões", disse.

O papel estratégico da inovação e da energia nuclear

No longo prazo, segundo Navid Samandari, o arranjo dos diferentes tipos de combustível ditará a soberania das nações. Embora o mercado debata o momento em que a fusão nuclear se tornará comercialmente viável, o especialista diz que por pragmatismo atual exige trabalhar com as fontes confiáveis desenvolvidas no último século, integrando-as à inovação.

"O lado positivo de uma crise como essa é que, como público, passamos a enxergar com clareza as propriedades e o real papel da energia. Não são todos os países capazes de desenvolver e dominar a energia nuclear. O Brasil possui essa capacidade técnica e os recursos necessários. Por conta disso, a energia nuclear passará a ter um papel cada vez mais importante e estratégico no país", diz.

Estadão
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