Brasil tem 13 vezes mais empresas que importam do que exportam para a China
Há uma grande diversidade de produtos manufaturados e insumos industriais importados, mas vendas ao gigante asiático são concentradas em produtos primários
Embora a China seja o país que mais compra produtos do Brasil no exterior, há mais empresas brasileiras que importam do que exportam nas trocas comerciais com o gigante asiático. Esta é uma das descobertas de um estudo sobre o perfil socioeconômico do comércio entre os dois países, feito pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) em parceria com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
São mais de 40 mil empresas que importam da China, entre lojas do varejo, atacadistas, tradings e indústrias, contra menos de 3 mil que exportam ao país. Enquanto há uma grande diversidade de produtos manufaturados e insumos industriais importados pelo Brasil da China, as vendas ao gigante asiático são concentradas em um número bem menor de fornecedores de produtos primários. Somente três produtos — soja, minério de ferro e petróleo — representaram três quartos do total vendido à China no ano passado.
É bem maior o número de empresas brasileiras que exportam para o Mercosul (11,7 mil), os Estados Unidos (9,6 mil) e a União Europeia (8,6 mil), ainda que, no montante em dólares, estes mercados comprem menos do Brasil.
Já quando se olha para as importações, o total de empresas que trazem produtos da China — 40.059, em número preciso de 2024 — é quase dez vezes superior ao número de importadores de produtos do Mercosul, o triplo dos Estados Unidos e o dobro da União Europeia. Desde 2000, o número de importadores de produtos chineses no Brasil foi ampliado em 11 vezes.
O estudo mostra que, embora em menor ritmo, também houve um avanço no número de empresas que vendem à China: quadruplicou de 2000 para cá, incluindo microempresas que passaram a fornecer ao país.
A urbanização acelerada, a ascensão da classe média e o crescimento da indústria puxaram nas últimas décadas a demanda chinesa por produtos que o Brasil tem condições de fornecer. Nos últimos dez anos, a China respondeu por mais da metade do superávit da balança comercial brasileira, sendo, em 2024, o destino de 28% das exportações do Brasil.
As vendas para a China são mais concentradas em commodities do que para qualquer outro parceiro comercial. Apesar disso, houve um aumento do número de produtos brasileiros fornecidos ao país. De 673 produtos em 1997, o Brasil passou a exportar mais de 2,5 mil produtos para a China, segundo aponta o levantamento, com base na nomenclatura comum do Mercosul.
A conclusão dos autores do estudo é que, apesar de ainda pouco diversificado em produtos e empresas, o comércio com a China tem atraído mais exportadores, especialmente de menor porte. Isso está levando a uma ampliação do leque de produtos exportados ao mercado chinês.
Ao participar do lançamento do estudo, a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, avaliou que a China segue oferecendo oportunidades a empresas brasileiras. "Isso tudo nos faz pensar em políticas públicas para que mais empresas, mais regiões do Brasil, mais trabalhadores brasileiros possam se aproveitar das oportunidades, que ainda são crescentes, no mercado chinês", declarou a secretária.