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Brasil precisa acelerar projetos para aproveitar corrida global por minerais críticos

Em Fórum do Estadão, especialistas destacam potencial do País em terras raras, lítio e outros minerais estratégicos, mas alertam para entraves regulatórios, burocracia e demora na implantação de projetos

20 ago 2026 - 13h12
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Resumo
O Brasil tem uma oportunidade estratégica com a alta demanda global por minerais críticos, essenciais para tecnologia e transição energética. No entanto, especialistas alertam que a lentidão nos licenciamentos, a burocracia e entraves regulatórios ameaçam a competitividade do país frente a outros concorrentes mundiais. Para atrair investimentos e não perder essa janela de oportunidade, o setor demanda maior agilidade nos processos e incentivos estatais, sem abrir mão do rigor ambiental.

ESPECIAL PARA O ESTADÃO - O Brasil está em posição estratégica para aproveitar uma janela de oportunidade curta, mas promissora, aberta pela crescente demanda mundial por terras raras e pela perspectiva de aumento ainda maior da procura por esses produtos nos próximos anos. Neste momento, em que diversos países se rearranjam para participar ativamente desse mercado, o setor de mineração brasileiro convive com entraves regulatórios e estruturais que precisam ser enfrentados para posicionar o País no mercado que se abre.

"Vários países, várias empresas mundo afora estão se colocando e vendo como a indústria de automóveis, a indústria de robótica e a indústria da guerra, por exemplo, estão demandando. Esse rearranjo está acontecendo agora. Vários projetos no mundo estão sendo postos em andamento e quem entrar primeiro consegue se colocar no mercado. E o Brasil não pode prescindir disso", afirmou nesta quinta-feira (20) o diretor-executivo da Associação de Minerais Críticos (AMC), Frederico Bedran, durante o painel A Corrida pelos Minerais Críticos Usados em Tecnologia e Energia Limpa, do Fórum Estadão Minério Verde — Novo Rumo da Mineração, realizado em São Paulo.

Painel Fórum Estadão - Minério Verde, evento promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, em São Paulo; (da esq. para dir.) Cristiane Barbieri, mediadora, Frederico Bedran de Oliveira, diretor executivo da Associação de Minerais Críticos (AMC), Vinicius Alvarenga, CEO da Companhia Brasileira de Lítio, e Tito Martins, consultor sênior e conselheiro de empresas
Painel Fórum Estadão - Minério Verde, evento promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, em São Paulo; (da esq. para dir.) Cristiane Barbieri, mediadora, Frederico Bedran de Oliveira, diretor executivo da Associação de Minerais Críticos (AMC), Vinicius Alvarenga, CEO da Companhia Brasileira de Lítio, e Tito Martins, consultor sênior e conselheiro de empresas
Foto: Daniel Teixeira/Estadao / Estadão

Bedran apontou medidas que podem contribuir para que o Brasil aproveite o momento promissor no segmento, mas também destacou dificuldades. "Tem a questão do fundo garantidor, incentivos para agregação de valor na perspectiva de enxergar a cadeia como um todo, e não somente a mineração, mas, ao mesmo tempo, tem uma discussão sobre qual é o papel do Estado em termos de homologação de participações societárias, por exemplo. E nessa política está prevista uma anomalia institucional e jurídica, que é a criação de um conselho para homologar transações societárias", disse.

"O que se precisa neste cenário são médios projetos, médias empresas. A gente precisa dinamizar o mercado e aumentar o número de players", disse o diretor-executivo da AMC, entidade que reúne 30 empresas de lítio, cobre, terras raras e cassiterita que, juntas, têm previsão de investir R$ 60 bilhões nos próximos anos.

Vinícius Alvarenga, CEO da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), lembrou que os minerais críticos, como terras raras, lítio e grafite, são abundantes em todo o mundo, inclusive no Brasil. "A questão é a velocidade de implantação e a competitividade dos projetos. As janelas são curtas."

Ele lembrou que, no início dos anos 2020, empresas chinesas, responsáveis por cerca de 95% da demanda, visitaram o Brasil para tentar investir em ativos minerais, mas esbarraram na demora dos licenciamentos e optaram por investir na África. Com isso, a participação do continente no mercado de lítio proveniente de rochas duras passou de 5% para 30% em três anos. "É só um exemplo de como a janela é curta e temos concorrentes mundiais para todos os minerais críticos, e não só para o lítio", disse.

Alvarenga afirmou que não defende a redução de medidas regulatórias de caráter ambiental, social e de governança, mas lembrou que uma das principais demandas do setor é por processos mais ágeis.

Tito Botelho Martins, consultor sênior e conselheiro de empresas, concordou que o momento é promissor para, pelo menos, as próximas duas décadas, mas ressaltou que o País ainda tem um ambiente de negócios difícil.

"O mundo está passando por um processo de modificação industrial e a questão tecnológica tem impacto muito forte na demanda por materiais. A sociedade ainda não percebeu o quão relevante é incentivar a indústria mineradora, porque ela é a fornecedora dos materiais que vão beneficiar o desenvolvimento tecnológico. O que precisa ser feito é ação", disse.

Ele citou como exemplo o fato de que a criação do fundo do BNDES para financiamento de projetos de mineração foi apresentada em março de 2024, mas, em agosto de 2026, os recursos ainda não foram disponibilizados. "Por quê? Burocracia." Segundo ele, é necessário investir em agências, órgãos reguladores e instituições de pesquisa para agilizar os processos sem reduzir os critérios ambientais.

Estadão
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