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Brasil cria 921,6 mil vagas formais no 1º semestre, menor saldo desde 2020

Mercado de trabalho brasileiro abriu 145.161 novos empregos em junho

29 jul 2026 - 15h57
(atualizado às 16h06)
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BRASÍLIA - O mercado de trabalho brasileiro criou 921.645 novos empregos no primeiro semestre de 2026, uma queda de 25% frente aos primeiros seis meses de 2025. É o menor resultado para o período desde 2020, quando foram fechadas 1,4 milhão de vagas, em meio aos impactos da pandemia de covid-19.

Os números do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta quarta-feira, 29, e reforçam o quadro de um mercado de trabalho ainda aquecido, mas em processo de desaceleração sob o peso da política monetária restritiva que vem sendo aplicada pelo Banco Central.

De janeiro a junho deste ano, quatro dos cinco grandes grupamentos de atividade tiveram saldos positivos de empregos: serviços (571.926), construção (168.962), indústria (143.442) e agropecuária (40.853). O comércio fechou 3.514 postos de trabalho.

São Paulo é o Estado com a maior criação de vagas no acumulado de 2026, com 252.558. Em seguida, aparecem Minas Gerais (108.977) e Paraná (69.638). Na outra ponta, os menores saldos são contabilizados em Alagoas (-8.215), Rio Grande do Norte (716) e Roraima (1.938).

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, minimizou a desaceleração no ritmo de criação de empregos, atribuindo a redução dos saldos à política monetária, à alta dos preços do petróleo e às tarifas aplicadas pelo governo americano a produtos brasileiros.

"Levando em consideração essas consequências, acredito sinceramente que nós estamos num viés positivo", disse Marinho em entrevista coletiva. "A economia, para muitos, deveria estar em decréscimo, mas nós continuamos crescendo de forma resiliente."

Segundo Marinho, a tendência é que os saldos do Caged continuem positivos. O ministro afirmou, no entanto, que é evidente na economia o impacto da taxa Selic contracionista e das ações do presidente americano, Donald Trump.

Mês de junho

O mercado de trabalho brasileiro abriu 145.161 novos empregos em junho. Os números interrompem uma sequência de dois meses de resultados abaixo do esperado no Caged: em abril (85.888, contra uma mediana de 120 mil) e maio (85.888 ante 211.100), considerando a série sem ajustes.

A leitura de economistas do mercado tem sido de que o mercado de trabalho brasileiro continua resiliente, mas tem mostrado sinais de desaceleração.

Apesar da surpresa positiva, o saldo do Caged de junho de 2026 foi o menor para o mês desde 2020, quando foram fechadas 53.381 vagas, em meio aos impactos da primeira onda de covid-19 sobre a economia brasileira. Em junho de 2025, o mercado de trabalho brasileiro criou 161.999 novos postos de trabalho, na série com ajustes de declarações fora do prazo.

O saldo de junho de 2026 decorre de 2.220.131 admissões e 2.074.970 demissões, segundo o MTE. Com o resultado, o estoque de empregos celetistas no País alcançou 48.032.308 vínculos ativos.

Todos os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas admitiram mais pessoas do que demitiram em junho. O setor de serviços puxou a criação de novas vagas de trabalho em junho, com um saldo líquido positivo de 74.514 empregos gerados. Em seguida, aparecem agropecuária (22.898), comércio (19.177), indústria (14.438) e construção (12.136).

Estadão
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