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Pedidos de RJ no agro do Brasil sobem 33% no 1º tri e podem bater recorde em 2026, aponta Neot

29 jul 2026 - 16h27
(atualizado às 16h37)
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Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio ‌brasileiro somaram 517 no primeiro trimestre, aumento de 33% em relação ao mesmo período do ano passado, sinalizando que 2026 pode bater um novo recorde de solicitações, segundo análise divulgada nesta quarta-feira pela Neot.

A companhia de tecnologia especializada em gestão de processos de insolvência e recuperação judicial citou o impacto de quebra de safras, queda de preços de commodities e crédito restrito em meio ⁠a juros mais altos.

O volume financeiro "sob stress" atingiu aproximadamente R$38 bilhões em passivos totais, dos quais R$31,5 ‌bilhões estão concentrados em operações com passivo acima de R$30 milhões, o que indica que o problema não se restringe apenas a pequenos produtores, mas abrange toda a cadeia agroindustrial.    

Contudo, mais ‌da metade das solicitações de RJ envolveram produtores rurais na ‌área de soja e milho -- os dois principais grãos cultivados no Brasil -- e pecuaristas, ⁠segundo levantamento da Neot.

Embora o país deva registrar uma safra recorde de soja e milho neste ano, apagando uma máxima histórica obtida em 2025, a produção dos dois grãos havia despencado em 2024 por conta do clima desfavorável, pegando muitos produtores com dívidas. Isso, associado à queda nos preços pela oferta abundante, colaborou para o aumento dos pedidos de recuperações judiciais no agronegócio a patamares ‌nunca vistos em 2025, com quase 2 mil pedidos. 

"O principal fator (no caso da soja e milho) é ‌justamente a queda acentuada de preços ⁠a partir de 2022/23, ⁠tornando ainda mais apertado o comércio no setor. O excesso de oferta derrubou os preços", afirmou Julio Moretti, ⁠CEO da Neot, à Reuters.

Numa conjuntura de juros altos, ‌a captação de recursos ficou ainda ‌mais difícil, acrescentou o executivo. E, sem grandes recuperações nos preços dos grãos, as margens continuaram apertadas, acumulando prejuízos em muitos casos, comentou.

Segundo a companhia, os pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre sugerem que, "longe de uma normalização, a crise mantém velocidade de expansão significativa, ⁠potencialmente direcionando o ano para novo recorde histórico".

"Caso os sintomas primários (da crise) cessem rapidamente, ainda assim, os efeitos da crise devem perdurar por cerca de dois anos", pontuou Moretti.

"Mas para a retomada real da rentabilidade no setor ocorrer nesse período, é necessário que se tenha todo o conjunto de fatores favoráveis: preços internacionais, produção, insumos e ‌ausência de crises climáticas severas."

Por outro lado, a expectativa de um fenômeno climático El Niño forte em 2026, com eventuais impactos para as lavouras, traz preocupações para a safra 2026/27, disse ⁠a Neot. A soja da nova temporada começa a ser plantada em meados de setembro.

OS MAIS IMPACTADOS

Os produtores rurais, pessoa física e jurídica, responderam por 305 pedidos de RJ, seguidos por revendas e distribuidoras de insumos (83 pedidos), impactadas pela inadimplência dos produtores, segundo a Neot. 

A maior concentração regional de pedidos de recuperação judicial se encontra em importantes produtores de grãos e de gado, como Goiás, com 113 solicitações, e Mato Grosso, com 98. O Rio Grande do Sul, que sofreu mais com seguidas intempéries climáticas nos últimos anos, registrou 62 pedidos de RJ, seguido por Minas Gerais (56) e Paraná (54).

Completam a lista das solicitações de RJ as agroindústrias e usinas, que somaram 62 pedidos, decorrentes de alta alavancagem e alto custo do dinheiro, disse a Neot.

As empresas de logística e armazenagem, com 41 solicitações de RJ no primeiro trimestre, e indústrias de insumos, com 26, fecham o total de pedidos.

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