Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Brasil Adiante: como destravar os investimentos em infraestrutura e acelerar o crescimento

Painel de série promovida pelo 'Estadão', com curadoria de Fábio Barbosa, discute como reduzir ou eliminar um dos maiores gargalos do País

18 ago 2026 - 13h52
Compartilhar
Exibir comentários

O quarto debate do "Brasil Adiante", que ocorrerá nesta quarta-feira, 19, em São Paulo, vai discutir caminhos para enfrentar um dos principais gargalos ao desenvolvimento do País: a infraestrutura. Considerado um dos pilares do crescimento econômico, o setor tem sido um dos pontos mais frágeis do Brasil, elevando custos, reduzindo a produtividade e limitando a competitividade das empresas.

Com a curadoria de Fábio Barbosa, um dos líderes empresariais mais respeitados do País, o primeiro painel Infraestrutura, Energia e Saneamento começa às 8h30. O encontro, realizado no Espaço JK, no Itaim, será transmitido ao vivo pelo Estadão. Farão parte da mesa debatedora a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciana Costa; o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini; e o sócio da GO Associados, Gesner Oliveira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

As conclusões do debate serão transformadas em um documento de propostas pragmáticas e executáveis para os primeiros 24 meses do próximo governo, que será divulgado pelo Estadão. O objetivo da curadoria de Fábio Barbosa é garantir que o painel não termine apenas como um registro de opiniões, mas sim como um plano de ação real, a ser entregue ao próximo presidente eleito.

Na prática, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, energia, saneamento, telecomunicações e infraestrutura digital determinam, em partes, quanto custa produzir, transportar e comercializar bens. Quanto melhor essa estrutura, menor o tempo e o custo das operações e maior a competitividade da economia.

Após um período de forte retração, marcado sobretudo pelos efeitos da Operação Lava Jato, o País entrou num ciclo de expansão dos volumes aplicados no setor. Esse movimento é explicado por uma agenda mais robusta de concessões rodoviárias e pelos avanços trazidos pelo marco regulatório do saneamento básico. Desde 2021, o volume de investimentos soma R$ 1,4 trilhão — valor 37% superior aos seis anos anteriores.

No ano passado, foram investidos R$ 280 bilhões em todo o País, entre recursos públicos e privados, segundo a Abdib. Para este ano, a expectativa é que o setor bata novo recorde de investimento, de R$ 300 bilhões (os dados não levam em conta os números do setor de óleo e gás), sendo boa parte vinda da iniciativa privada.

Apesar disso, os dados ainda são bem inferiores ao que o setor realmente precisa para mudar de patamar. No ano passado, o Brasil investiu 2,34% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura. Mas, segundo dados da consultoria Inter.B, para reduzir e eventualmente eliminar o déficit de serviços de infraestrutura, adotando padrões mais modernos, o País teria de colocar 5,95% do PIB em uma década. Ou seja, o caminho ainda é longo.

Ao longo do tempo, devido ao envelhecimento e à defasagem da infraestrutura do País, parte dos investimentos é destinada apenas à reposição da depreciação do capital fixo (da infraestrutura do setor). Isso ajuda a explicar a dificuldade de modernizar a infraestrutura, já que uma parte significativa dos investimentos novos é usada apenas para compensar perdas causadas pelo tempo e pelo uso intenso, explica o especialista Claudio Frischtak, da Inter.B, em relatório do setor.

Cada segmento vive uma situação diferente, mas todos têm investimentos menores que o necessário

As mudanças em infraestrutura ocorreram de forma não linear ao longo dos últimos anos. Alguns segmentos tiveram mais avanços que outros. A área de Transportes, por exemplo, viveu uma onda de concessões rodoviárias e melhorias importantes nas últimas décadas. Mas os avanços foram desiguais entre regiões e modais de transportes (rodoviário, ferroviário, aquaviário). Por isso, o setor tem um dos maiores hiatos de investimentos de todo o setor.

De acordo com a Inter.B, a modernização da área demandaria, em 10 anos, um investimento anual da ordem de 2,99% do PIB, mais de 4 vezes o investimento projetado em 2025 (0,71% do PIB), alvo distante do possível. Em 20 anos, apesar de o prazo se tornar mais factível em vista do tempo médio de maturação de obras do setor, o esforço está longe de ser trivial, pois demanda investimentos adicionais de 1,5% do PIB, triplicando o esforço atual.

Enquanto o setor rodoviário teve uma série de concessões, a área de ferrovias vive há décadas em marcha lenta, com projetos importantes na gaveta. Um dos principais motivos é a grande quantidade de capital envolvido nos empreendimentos, o que torna a rentabilidade do projeto, às vezes, menos atraente para o investidor privado.

O setor de saneamento também teve avanços importantes desde a implementação do marco regulatório. Mas, ainda assim, especialistas não acreditam que o País conseguirá atingir a meta de universalização em 2033. As principais operações no setor realizadas em 2026 tiveram baixa concorrência, enquanto outros projetos foram adiados em meio a um ambiente macroeconômico desafiador.

Brasil ainda tem enormes deficiências nos serviços de água e esgoto
Brasil ainda tem enormes deficiências nos serviços de água e esgoto
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Especialistas afirmam que o movimento não indica perda de interesse pelo setor, mas reflete o esgotamento do ciclo dos ativos mais cobiçados, a maior complexidade das operações e uma postura mais seletiva dos investidores. Até o ano passado, o investimento era de 0,51% do PIB, mas precisaria subir para 0,62% do PIB a partir deste ano.

O setor de energia elétrica é um dos que conseguiram a maior modernização desde a década de 90, quando houve a privatização. Mas, ainda assim, os investimentos estão abaixo do ideal. Hoje, o setor vive uma crise às avessas, decorrente de uma oferta maior que a demanda em determinados momentos do dia. Isso tem provocado o chamado curtailment, que é o corte compulsório da geração de energia solar e eólica. Isso porque essas fontes são intermitentes e produzem conforme as condições do tempo. Esse é um ponto que precisa de solução urgente para que os investimentos voltem com força e que o Brasil consiga colher os frutos da transição energética global.

Na avaliação de especialistas, a estratégia de acelerar os investimentos em infraestrutura deveria ser tratada como política de Estado, planejamento de longo prazo, transparência, critérios técnicos e continuidade entre governos. Também é necessário fortalecer a autonomia e a capacidade técnica das agências reguladoras, reduzir interferências políticas e integrar o planejamento dos diferentes modais de transporte. Por fim, o BNDES deve ser fortalecido como estruturador de projetos, apoiando Estados e municípios em concessões e PPPs e direcionando financiamentos de forma complementar ao mercado de capitais.

Em tempos de crise fiscal, o investimento público é outro problema a ser contornado. Nem todos os projetos têm viabilidade econômica para a iniciativa privada. E, nesses casos, é preciso ter uma contrapartida dos governos. Na situação atual, esses investimentos devem respeitar as restrições fiscais e priorizar projetos com maior retorno social, avaliados por análises de custo-benefício e impacto socioambiental, enquanto o setor privado deve ser estimulado por meio de PPPs e maior segurança jurídica.

Veja os detalhes e painéis do encontro

  • Data: 19 de agosto?;
  • Local:? Espaço JK Eventos?;
  • Endereço: Rua Professor Atílio Innocenti, 780 - Itaim Bibi;
  • Horário: das 8h às 11h30;
  • Inscrições: Podem ser feitas gratuitamente por este link;
  • Onde assistir? Transmissão ao vivo nas plataformas do Estadão.

Painel 1: Infraestrutura, Energia e Saneamento

Painelistas: Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados; Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES; e Venilton Tadini, presidente executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB). Mediação de Renée Pereira, editora-adjunta de Economia do Estadão.

Painel 2: Meio Ambiente e Amazônia

Painelistas: Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e enviada especial da presidência da COP-30 para o setor empresarial; Pedro de Camargo Neto, doutor em engenharia pela USP, pecuarista, ex-presidente de entidades de classe, ex-secretário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); e Roberto Waack, membro do conselho de administração da MBRF e do Instituto Arapyaú. Mediação de Cristiane Barbieri, repórter especial do Estadão.

Veja o cronograma do Brasil Adiante

  • 27 de maio: Encontro 1: Eixo I: Estabilidade Institucional e Fundamentos do Crescimento (veja como foi);
  • 11 de junho: Encontro 2: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Educação e Saúde) (veja como foi);
  • 23 de julho: Encontro 3: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Segurança Pública e Crime Organizado) (veja como foi);
  • 19 de agosto: Encontro 4: Eixo III: Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade;
  • 27 de agosto: Encontro 5: Apresentação do documento consolidado, divulgação da agenda e fechamento do projeto;
  • Setembro: Entrega da agenda de soluções aos candidatos.
Estadão
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra