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Bradesco vê crescimento do crédito convergindo até o fim do ano e reforça o guidance

6 ago 2026 - 09h29
(atualizado em 7/8/2026 às 10h21)
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O presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, reforçou nesta quinta-feira as ‌previsões do banco para o ano, mesmo enxergando um mercado de crédito ainda restritivo em razão do nível da taxa de juros e comprometimento de renda da população. 

"Nós estamos com uma crença absoluta de que vamos estar dentro do guidance em todos os indicadores", afirmou o executivo em coletiva à imprensa sobre o balanço divulgado na véspera, que mostrou lucro líquido de R$7,05 bilhões no segundo trimestre, com retorno sobre o patrimônio de 16,2%.

Ele afirmou que, no crédito, continuará focado na alta renda, além de ter ⁠apetite para linhas com garantias. "Linhas 'clean' é onde não queremos crescer", afirmou, acrescentando que o banco está trabalhando com um apetite a risco "bem, bem, ‌bem moderado" nas linhas para rendas menores.

As projeções divulgadas pelo Bradesco em fevereiro para este ano incluem expansão de 8,5% a 10,5% para a carteira de crédito expandida, com margem financeira líquida entre R$42 bilhões e R$48 bilhões, além de crescimento de ‌3% a 5% nas receitas de prestação de serviços, entre outras estimativas.

O atingimento ‌do guidance significará uma desaceleração no ritmo do crescimento do crédito do banco, que terminou junho com uma carteira de ⁠R$1,1 trilhão, aumento de 11,6% ano a ano e de 4,3% em relação ao final de março.

"Provavelmente desacelera até o final do ano, mas é uma desaceleração gradual em direção ao guidance que prometemos", afirmou o diretor de relações com investidores, André Carvalho.

O presidente do Bradesco explicou que o banco de atacado cresceu mais de 12% ano contra ano no segundo trimestre e que, em razão de características do segmento, pode se observar eventualmente uma desaceleração na carteira no terceiro ou quarto trimestre.

Mas ressaltou que a carteira ‌de consignado cresce, assim como a de veículos e nas linhas de FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) e o FGO (Fundo Garantidor de Operações). 

"Mas é ‌natural que se tenha uma convergência maior ⁠do mercado. Nós estamos vendo uma ⁠certa desaceleração no próprio Banco Central... Mas temos esse fenômeno do banco de atacado", afirmou.

No segundo trimestre, a carteira de grandes empresas somou R$389,4 ⁠bilhões, alta de 12,7% ano a ano. 

Na bolsa paulista, por volta de 11h05, ‌as ações preferenciais do banco recuavam 2,49%, ‌a R$17,60.

AGRO

O executivo também chamou a atenção para a performance da carteira rural, destacando que o agro "está passando por um ciclo que não é um bom ciclo".

Ele disse que se observa uma inadimplência maior dentro do mercado brasileiro, que não é só relacionada ao preço de commodities, de fertilizantes, mas também da própria valorização do real, que prejudica um pouco certas ⁠culturas que são exportadoras.

Do lado do negócio de seguros do conglomerado, ao comentar sobre os potenciais efeitos do El Niño, o presidente da Bradesco Seguros, Ney Dias, afirmou que o grupo tem uma diversificação muito grande no território nacional, o que pulveriza o risco.

"Temos uma boa proteção, um bom painel de resseguradores, então não esperamos um aumento sensível de sinistralidade."

O presidente-executivo do Bradesco também comentou o recente anúncio de aumento de capital do banco de até R$10 ‌bilhões, com o compromisso de subscrição de até R$8 bilhões pelos controladores.

"Nós vemos isso como extremamente positivo. Primeiro, é um voto de confiança na empresa, na organização. Segundo, um voto de confiança em toda a administração, em tudo que a gente ⁠vem fazendo no plano de transformação. E, terceiro, ele dá mais resiliência para a gente crescer. Ele aumenta o nosso capital tangível", afirmou.

JUROS

Noronha afirmou que, com os indicadores de inflação recentes, o banco avalia que ocorrerão novas quedas da taxa de juros. 

"A taxa de juros real... está muito alta no Brasil. Acho que a política monetária já fez o efeito. Ela jogou a inflação para baixo. Eu não vejo por que o Copom não reduzir. Em que magnitude, em que velocidade? Vamos acompanhar, mas eles estão sendo conservadores, eu acho até na comunicação", disse.

"Eu acho que a gente vai ver essa taxa de juros continuar a cair."

O Banco Central decidiu na quarta-feira cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto em meio a uma melhora no cenário corrente, argumentando que manterá "a restrição adequada" para assegurar a convergência da inflação à meta.

O executivo destacou que quando a taxa fica elevada por um longo tempo machuca aquelas empresas que têm margem e dívida comprimidas.  "Não é positivo para o mercado de crédito", acrescentando que o comprometimento de renda da pessoa física, na média, cresceu e o mercado como um todo está mais restritivo.

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