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Bovespa: cautela externa impede alta, apesar de expectativa positiva com balanços

27 jul 2021 11h18
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O investidor local segue nesta terça-feira, 27, a postura moderadamente defensiva do exterior, ainda receoso após a China ter anunciado ontem novas regulações aos setores de tecnologia e educação privada. O clima de cautela ainda é reforçado pela expectativa de divulgação de balanços de empresas de tecnologia nos EUA e da decisão de política monetária americana, amanhã.

Além disso, fica no radar o Copom da semana que vem, à medida que a aceleração inflacionária no Brasil segue preocupante, inibindo recuperação de ações de consumo na Bolsa mais uma vez. Nem mesmo estimativas de resultados fortes de companhias brasileiras, caso de CSN, hoje, atenua o mau humor

Nos EUA a inflação também continua no radar. Porém, nesta manhã o índice de encomendas de bens duráveis no pais subiu (0,8%) menos que o esperado em junho (2%). Isso, em tese, pode realimentar as expectativas de que o Federal Reserve ainda não sinalizará fim do "tapering" (medidas de estímulo), nesta quarta-feira.

"Os mercados ficarão na espreita dessas reuniões Fed e Copom, como se dará a parte dos estímulos monetários. E o Copom na semana que vem deve balizar bem esses dados recentes de inflação que mostraram pressão", avalia Lorena Farias, da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros).

Apesar de ter mantido suas projeções para o crescimento global, a economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopinath, alertou que a variante delta da covid-19 é uma preocupação importante e pode gerar risco à economia mundial. Afirmou que o PIB no mundo se recupera, mas há defasagens entre países avançados e emergentes. Conforme o FMI, a inflação deve continuar alta em emergentes em 2022 com pressões de preços e câmbio.

Além da espera pelo Fed e pelo Copom, o temor de que a China adote medidas restritivas a outros setores após o cerco aos segmentos de tecnologia e de educação continua no radar, diz Cássio Bambirra, sócio da One Investimentos. "Isso tem impacto nos mercados emergentes, inclusive no Brasil", afirma. Vale lembrar que o país é um importante parceiro comercial do Brasil

Ainda que haja expectativa de divulgação de números robustos de empresas dos setores de mineração e siderurgia do segundo trimestre esta semana, as ações cedem. CSN, por exemplo, recua a 0,78%; Vale recuava 1,13%; e Usiminas tinha recuo de 1,86% às 10h48. A CSN divulga seus números relativos hoje e deve ter excelentes resultados, por conta dos preços mais altos do aço e do minério de ferro. O lucro líquido deve subir 1.143%. Para a Vale, a expectativa é que o lucro cresça oito vezes no segundo trimestre ante igual período de 2020. Já a Usiminas deve reverter prejuízo para lucro líquido de R$ 3,015 bilhões entre abril e junho de 2021. É importante ponderar que os papéis acumulam ganhos expressivos em 2021.

Já no varejo, destaque para a notícia de que o Magazine Luiza informou, na noite desta segunda-feira (26) que realizou a aquisição da Sode Intermediação de Negócios, plataforma de logística de entregas ultrarrápidas, feitas em menos de uma hora. A compra, cujo valor não foi informado, foi realizada por uma empresa controlada pela varejista. Outra parceira confirmada ontem após ser adiantada pelo Estadão/Broadcast é a de que a Ame Digital, fintech da Americanas S/A, agora é aceita como meio de pagamento nas lojas da rede francesa Carrefour. Os papéis recuavam.

Ainda que tenham vetores de alívio para o Ibovespa, questões políticas ficam no radar do investidor, que aguarda o encontro do presidente Jair Bolsonaro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que assumirá a Casa Civil, além do detalhamento das mudanças ministeriais. Ainda fica no radar o impasse da reforma tributária. Em mais uma ofensiva contra a reforma tributária do Imposto de Renda, um grupo de 22 instituições divulgou ontem um manifesto pedindo o arquivamento do projeto em tramitação na Câmara. Além disso, dados do setor externo aquém do esperado reforçam a cautela local.

Às 10h49 desta terça, o Ibovespa caía 0,76%, aos 125.043,10 pontos, após mínima aos 124.765,48 pontos e máxima aos 126.025,78 pontos.

Estadão
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