Bolsonaro diz que não manda na Petrobras, mas que faz o que pode
Bolsonaro reiterou críticas à Petrobras e jogou a alta dos preços dos combustíveis no colo da corrupção e do endividamento da estatal
Em meio às tensões entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o comando da Petrobras, que semana passada anunciou um forte reajuste dos combustíveis à revelia do governo, o chefe do Executivo ressaltou nesta quarta-feira, 16, que não manda na estatal. "Eu não mando na Petrobras, não tenho ingerência sobre ela, mas o que a gente puder fazer, a gente faz", disse o presidente a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.
Ainda assim, Bolsonaro reiterou críticas à Petrobras e jogou a alta dos preços dos combustíveis no colo da corrupção e do endividamento da estatal em governos passados - desta vez, sem citar a recente alta da cotação do petróleo no mercado internacional ou a cobrança de impostos estaduais sobre os produtos.
"Se não está tendo mais roubo na Petrobras, por que a gasolina não baixa de preço? A gente está pagando os R$ 900 bilhões de endividamento. Ano passado foi pago R$ 100 bilhões. Quem pagou? Vocês. De onde vem esse dinheiro? De desinvestimento, você vende coisa da Petrobras, vem do preço do combustível, vem na falta de investimento da prospecção de petróleo. Eu tenho minhas críticas à Petrobras, não é aquilo que eu gostaria, não", declarou o presidente a apoiadores.
Já o vice-presidente Hamilton Mourão, que se filia ainda nesta quarta-feira ao Republicanos para disputar o Senado pelo Rio Grande do Sul, apostou em uma redução dos preços dos combustíveis cobrados pela Petrobras, diante da recente queda do petróleo no exterior. Por outro lado, o general chamou a alta anterior da commodity, que levou ao reajuste da estatal, de "histeria".
"Essa questão do preço do petróleo é muita histeria. Porque hoje uma variação, vamos dizer assim, violenta no preço do petróleo é fruto primeiro da questão da pandemia, no retorno da atividade econômica. Posteriormente, desse conflito absurdo lá da Rússia e da Ucrânia. Aí, óbvio, o mercado começa a se reequilibrar", declarou o vice-presidente a jornalistas na chegada ao Palácio do Planalto. "O barril de petróleo Bateu nos US$ 139, já está em US$ 99, US$ 98. É óbvio, essa flutuação, acredito que a Petrobras vai encaixar isso aí e vai haver uma redução no preço dos combustíveis", acrescentou.
Bolsonaro ainda falou sobre a alta da conta de luz e tentou justificar aos apoiadores. "Teve que aumentar porque não choveu. Energia térmica é muito mais caro", disse o chefe do Executivo, que em seguida defendeu a atuação do governo nessa crise. "Se não tivéssemos contratado na hora certa as termelétricas, teríamos apagão."
De acordo com o presidente, os níveis dos reservatórios estão em nível "bastante elevado", em uma sinalização de melhora do cenário.
Ele ainda revelou que receberá na tradicional live nas redes sociais da próxima quinta-feira os ministros Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Tereza Cristina (Agricultura).
"Os dois ministros mais importantes", declarou Bolsonaro, sem citar o ministro da Economia, Paulo Guedes, um dos fiadores de sua eleição em 2018 junto ao mercado financeiro pela posição de "Posto Ipiranga" em assuntos econômicos.