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Bolsas de Nova York e Europa recuam com sinais de fraqueza da economia global

Mercado teme que retomada esteja perdendo a força em importantes países, como EUA e China, após dados negativos e diante do cenário tenso do mercado imobiliário chinês

17 set 2021 18h48
| atualizado às 19h10
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O dia foi de cautela nos mercados internacionais nesta sexta-feira, 17, com os índices sendo afetados por uma série de fatores negativos, a começar pelo temor de temor de que a recuperação da economia global está perdendo a força, e ainda diante do risco de colapso da incorporadora Evergrande, que pode colocar em xeque a retomada da China.

Nos Estados Unidos, o índice de sentimento dos consumidores da Universidade de Michigan subiu a 71,0 na preliminar de setembro, abaixo da previsão de 72,0. O resultado é derivado do aumento de casos de covid-19 em alguns Estados e preocupações sobre como a economia reagirá a um pacote econômico potencialmente menor do que o esperado. Apesar das tentativas, o presidente Joe Biden não convenceu os democratas conservadores a apoiarem um orçamento de US$ 3,5 trilhões e as negociações provavelmente levarão a um preço final entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2,0 trilhões.

Além disso, adiciona ainda mais tensão a espera pela reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na semana que vem, após uma rodada de dados inconclusivos sobre a economia dos EUA voltarem a apontar para a possibilidade da retomada estar perdendo força no país. No encontro, os dirigentes da entidade monetária podem começar a discutir a retirada de estímulos, em especial a redução na compra de ativos, processo chamado de 'tapering'.

Já na Europa, as vendas no varejo do Reino Unido recuaram 0,9% em agosto ante julho, ante previsão de alta de 0,8%. "Preços em alta, debates sobre se a inflação é transitória ou persistente, se a economia global está desacelerando e se os bancos centrais podem reduzir seus programas de compra de títulos sem causar ondulações no mercado", resume o analista-chefe de mercados da CMC, Michael Hewson, sobre os fatores de cautela.

Adicionou mais tensão hoje, a preocupação sobre a solvência da Evergrande, gigante do setor imobiliário na China. Já dando claros sinais de que talvez não consiga cumprir com as suas obrigações, analistas estão observando para ver se os reguladores chineses irão cumprir sua promessa de pôr em ordem o setor privado do país, deixando "bombas de dívidas" como a Evergrande colapsar. O cenário preocupa pois, caso venha a falir, a empresa poderá colocar em risco a retomada da economia da China.

Bolsa de Nova York

Afetados não apenas pelo cenário econômico incerto, mas também pelo vencimento de quatro tipos de contratos diferentes, a Bolsa de Nova York terminou em queda. O índice Dow Jones fechou com perda de 0,48%, o S&P 500 caiu 0,91% e o Nasdaq recuou também 0,91%. Na semana, houve queda de 0,07%, 0,57% e 0,47%, respectivamente. Foi a segunda semana seguida com perda generalizada para os índices.

Bolsas da Europa

O mercado europeu ficou sem sinal único, diante do clima de aversão aos riscos. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, encerrou o dia com perda de 0,88%, enquanto a Bolsa de Londres recuou 0,91%, Frankfurt caiu 1,03% e Paris teve baixa de 0,79%. Os índices de Milão e Lisboa cederam 0,98% e 0,71% cada. Exceção, Madri subiu 0,31%.

Bolsas da Ásia

Apesar da tensão em torno da Evergrande, o mercado asiático aproveitou o pregão para buscar uma recuperação. Os índices chineses de Xangai e Shenzhen avançaram 0,19% e 0,35% cada, enquanto a Bolsa de Tóquio subiu 0,58%, Seul teve ganho de 0,33% e Hong Kong avançou 1,03%. Exceção, a Bolsa de Taiwan teve baixa marginal de 0,01%.

Na Oceania, a bolsa australiana ignorou o viés positivo da região asiática e terminou a sessão no vermelho, em queda de 0,76%.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleofecharam em baixa hoje, em sessão na qual a commodity devolveu parte dos ganhos recentes e foi pressionada pelo dólar fortalecido. Além disso, a retomada de parte da produção que foi afetada por eventos climáticos extremos no Golfo do México nas últimas semanas aumenta as perspectivas para a oferta, em um momento no qual a demanda ainda é incerta.

O petróleo WTI para novembro fechou em baixa de 0,76%, a US$ 71,82 o barril em Nova York, e o Brent para novembro recuou 0,44%, a US$ 75,34 o barril em Londres Na comparação semanal, o WTI para outubro subiu 3,23%, o para novembro, agora mais líquido, avançou 3,42% e o Brent, 3,32%. /MAIARA SANTIAGO, MATHEUS ANDRADE, IANDER PORCELLA E SÉRGIO CALDAS

Estadão
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