Bernard Arnault, dono de fortuna de R$ 830 bilhões, crítica taxação de milionários na França
Diretor-executivo da LVMH classificou o economista francês Gabriel Zucman, que defende uma taxa de 2% sobre o patrimônio dos milionários, como 'um ativista de extrema esquerda'
O diretor-executivo da LVMH, Bernard Arnault, classificou a proposta de impor uma taxa de 2% sobre o patrimônio dos milionários da França como "uma ofensiva mortal" contra a economia do país.
Arnault é a sétima pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna avaliada em US$ 155,9 bilhões (cerca de R$ 830,5 bilhões na cotação atual), de acordo com dados da lista em tempo real de bilionários da Forbes, consultada nesta segunda-feira, 22. Ele também é o homem mais rico da Europa.
Em entrevista ao The Sunday Times, publicada no último sábado, 20, ele criticou a proposta do economista francês Gabriel Zucman, que defende que a cobrança de uma tarifa de 2% sobre patrimônios superiores a € 100 milhões (R$ 629,2 milhões) afetaria cerca de 0,01% dos contribuintes e arrecadaria € 20 bilhões (R$ 125,8 bilhões) por ano.
O diretor-executivo da empresa controladora de marcas de moda de luxo como Louis Vuitton, Dior e Tiffany & Co. disse que o debate em relação à proposta de Zucman não é "técnico ou econômico, mas sim um desejo claramente declarado de destruir a economia francesa".
Arnault classificou Zucman como "um ativista de extrema esquerda". "Como tal, ele usa sua expertise pseudoacadêmica - que, por si só, é objeto de amplo debate - a serviço de sua ideologia, que visa destruir a economia liberal, a única que funciona para o bem de todos", afirmou.
Em resposta às afirmações de Arnault, Zucman disse ao Sunday Times que nunca foi ativista em qualquer movimento ou partido e que conquistou prêmios por seu trabalho como economista. "Vindo de um dos homens mais ricos do mundo e em um contexto em que as liberdades acadêmicas estão sendo questionadas em um número crescente de países, essa retórica é perturbadora", disse.
A proposta do economista é popular entre os franceses. Uma pesquisa do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), divulgada pelo jornal britânico, mostrou que 86% dos cidadãos apoiam a taxação dos milionários.
O novo primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, precisa apresentar um plano orçamentário para 2026. Segundo o Sunday Times, o Partido Socialista - que faz parte da oposição - declarou que só votará a favor do projeto de Lecornu se o imposto sobre milionários for adotado.
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