'BC recebeu esse abacaxi e o descascou com competência', diz Haddad sobre liquidação do Banco Master
Ministro disse ter acompanhado o caso no que afetava a Fazenda, citando o prejuízo que poderia 'estourar na conta do Tesouro' e as implicações para FGC
BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira, 26, que o Banco Central (BC) cumpriu "sua obrigação legal" no caso da liquidação do Banco Master.
"O presidente (do BC) Gabriel Galípolo tinha recebido uma herança difícil do ponto de vista regulatório, tanto do ponto de vista das fintechs quanto do ponto de vista do Banco Master", disse Haddad em entrevista à GloboNews.
Questionado se as investigações e prisões têm relação com o clima de instabilidade do Congresso junto ao governo, Haddad disse que não saberia dizer. "Eu espero que não", completou.
O ministro disse ter acompanhado o caso no que afetava a Fazenda, citando o prejuízo fiscal que poderia "estourar na conta do Tesouro" e as implicações para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
"Eu cumpri a minha obrigação como autoridade fazendária e como autoridade monetária, regulatória, eu penso que o Banco Central recebeu esse abacaxi (Master) para descascar e o descascou com competência, porque não era simples enfrentar um problema herdado num volume que vocês estão noticiando", finalizou.
Como mostrou o Estadão, o Banco Central tinha duas preocupações imediatas no caso do Banco Master: evitar a quebra do Banco do Brasília (BRB), após descobrir, no início do ano, que ele vinha comprando bilhões em carteiras podres do Master, e evitar que uma provável liquidação do banco privado levasse a questionamentos jurídicos que virassem indenização bilionária a ser paga pelo governo federal.
O BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master na terça-feira passada, 18, um dia depois de o Grupo Fictor ter indicado o interesse em comprar a instituição.
Na noite da segunda-feira, 17, a Polícia Federal prendeu o dono do Master, Daniel Vorcaro, em uma operação para apurar suspeitas de crimes envolvendo a venda do banco para o BRB. O presidente do banco estatal do governo do Distrito Federal, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo.