David, do BC, diz que guerra traz choque relevante de preços que pode atuar contra "gordura" da Selic
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta quarta-feira que o nível da taxa Selic tem hoje "mais gordura" do que tinha há seis meses, mas indicou que o conflito no Irã atua no sentido contrário a essa folga nos juros ao promover um choque relevante nos preços.
Em evento promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo, ressaltou que a autarquia iniciou um processo de "calibração" da taxa Selic, e não um "afrouxamento", porque o objetivo é manter os juros em território restritivo.
"O nível de juros hoje tem mais gordura do que tinha seis meses atrás. Obviamente que esse evento do conflito vai do outro lado, porque ele está dando um choque de preços relevante que tem chances reais de ter efeitos de segunda ordem", afirmou, acrescentando que a autarquia não pode "baixar a guarda".
O BC reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual em março, a 14,75% ao ano, e não deu indicação clara sobre os próximos passos, defendendo que os juros sigam em nível restritivo e apontando elevação de incertezas com a guerra no Irã.
Em meio a uma piora recente nas previsões de mercado para a inflação para períodos mais longos, especificamente 2027 e 2028, David afirmou que esse movimento nas expectativas indica uma visão de que o BC pode não combater efeitos de segunda ordem da inflação, "o que é um equívoco".
"O Banco Central vai buscar a meta", disse.
David ainda afirmou que o nível de incerteza no cenário atual está mais alto, mas reforçou que o BC tem convicção de que a política monetária está funcionando.
Na apresentação, o diretor disse que o conflito no Irã tende a reduzir a atividade econômica no mundo. Segundo ele, a alta no petróleo provocada pela guerra não deve elevar o PIB do Brasil.