BB espera melhora nas provisões da carteira do agro com MP de renegociação de dívidas
O Banco do Brasil trabalha com um cenário de melhora nas provisões da carteira de crédito do agronegócio nos próximos meses, apoiada principalmente pelo programa de reestruturação de dívidas do setor rural lançado pelo governo federal no mês passado.
"Nós esperamos uma melhora relevante na PDD do agro em virtude da MP 1.376", afirmou o vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos da instituição financeira, Felipe Prince, em teleconferência com analistas para comentar o resultado do banco no segundo trimestre, divulgado na véspera.
"Temos à disposição dos nossos clientes um instrumento para promover essa renegociação. Nós trabalharemos muito fortemente na melhoria das condições do cliente como um todo e isso traz impacto também no relacionamento pessoa física com os produtores rurais", afirmou.
No segundo trimestre, a inadimplência acima de 90 dias do agro avançou para 6,27%, de 3,16% um ano antes e 6,22% nos três meses imediatamente anteriores. Na pessoa física, atingiu 8,41%, de 5,59% um ano antes e 6,82% nos primeiros três meses de 2026.
A presidente-executiva BB, Tarciana Medeiros, afirmou na teleconferência que o portfólio de crédito potencial do banco para enquadramento na MP 1.376 é de até R$100 bilhões.
De acordo com o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, o foco inicial será principalmente o produtor inadimplente. Dados do BB divulgados na apresentação mostravam R$36,7 bilhões em operações inadimplentes.
"Esse vai ser o foco central da nossa atuação, seguido por aqueles que estão com operações prorrogadas com taxas livres, que se enquadram dentro do percentual de perdas e dos limites de crédito. Então esse é o público central que a gente vai buscar. Vão vir todos? Não. A nossa expectativa é... trabalharmos com algo de até em torno de R$30 bilhões", afirmou, ressaltando que tal montante já tem um efeito bastante significativo em relação às operações inadimplentes do banco.
Na bolsa paulista, as ações do BB recuavam 0,5% por volta de 11h, enquanto o Ibovespa rondava a estabilidade.
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