Balanço do Grupo Pão de Açúcar traz alerta sobre continuidade operacional da empresa
Nota explicativa cita prejuízos e fala em 'incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia'
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) incluiu em seu balanço do quarto trimestre um alerta sobre "incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia". A informação consta de uma nota explicativa da companhia, revisada pela Deloitte, sobre as demonstrações financeiras do GPA, referentes ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025.
No quarto trimestre do ano passado, o GPA registrou um prejuízo líquido consolidado de R$ 572 milhões, redução de 48,2% em relação ao prejuízo de R$ 1,104 bilhão apurado em igual período de 2024.
Segundo a auditoria, ao fim de 2025, o GPA apresentava déficit de capital circulante líquido de aproximadamente R$ 1,224 bilhão, decorrente principalmente de empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 no montante de R$ 1,7 bilhão.
"Apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, a companhia continua apurando prejuízo no período", aponta a Deloitte.
Para mitigar os riscos associados ao capital circulante negativo e aos vencimentos relevantes previstos para 2026, a administração afirma que está adotando iniciativas que incluem negociações para alongamento de prazos das dívidas financeiras, redução do custo financeiro e de despesas e monetização de créditos tributários.
A Deloitte, contudo, destaca que atualmente o GPA não possui contratos firmados para renegociação das dívidas ou venda de créditos tributários, e que essas ações não estão totalmente sob o seu controle.
Embora a auditoria tenha apontado incerteza relevante sobre a continuidade operacional, as demonstrações financeiras foram preparadas assumindo que o GPA continuará operando normalmente. Assim, não foram realizados ajustes nos ativos ou nas dívidas para refletir um eventual cenário de deterioração financeira.
A Deloitte afirma ainda que a administração seguirá acompanhando as medidas anunciadas e a evolução da liquidez, podendo adotar novas ações, se for preciso.
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