Balança comercial: Brasil registra superávit de US$ 4,2 bi em fevereiro
Exportações aos EUA caíram 20,3%, enquanto os embarques para China subiram 38,7%
BRASÍLIA - A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,208 bilhões em fevereiro de 2026, após saldo positivo de US$ 4,343 bilhões em janeiro de 2026.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) divulgados nesta quinta-feira, 5, o valor foi alcançado com exportações de US$ 26,306 bilhões e importações de US$ 22,098 bilhões.
O resultado do último mês veio acima da mediana apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 4,12 bilhões em janeiro. As projeções para esta leitura variavam de US$ 3 bilhões a US$ 4,6 bilhões.
Em fevereiro, as exportações registraram alta de 15,6% na comparação com janeiro de 2025, com crescimento de 6,1% em Agropecuária, que somou US$ 5,140 bilhões; crescimento de 55,5% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 6,633 bilhões; e, por fim, crescimento de 6,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 14,372 bilhões.
Em relação às importações, houve queda de 4,8% na comparação mesmo mês do ano passado, com redução de 20,0% em Agropecuária, que somou US$ 423,194 milhões; redução de 12,1% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 831,907 milhões; e, por fim, redução de 4,0% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 20,747 bilhões.
Exportações aos EUA caem 20,3%
As exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos caíram 20,3% em fevereiro de 2026, totalizando US$ 2,523 bilhões no mês passado, ante US$ 3,167 bilhões em fevereiro de 2025. As importações diminuíram 16,5% e chegaram a US$ 2,788 bilhões, frente a US$ 3,337 bilhões no mesmo mês do ano anterior. Assim, a balança comercial com os EUA resultou num déficit de US$ 265 milhões.
Esta é a sétima queda consecutiva nas vendas ao mercado norte-americano, após a imposição da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros, em meados de 2025.
No fim do ano passado, alguns produtos brasileiros foram retirados das tarifas, mas o MDIC calcula que 22% das exportações brasileiras ainda estão sujeitas às tarifas estabelecidas em julho, incluindo nesse grupo tanto os produtos que pagam apenas a alíquota extra de 40%, quanto os sujeitos a 40% mais a taxa-base de 10%.
Exportações para a China crescem 38,7%
As exportações de produtos brasileiros para a China cresceram 38,7% em fevereiro de 2026 (somando US$ 7,220 bilhões no mês, ante US$ 5,206 bilhões em fevereiro de 2025).
Pelo lado das importações, houve diminuição de 31,3% nas compras vindas da China em fevereiro (totalizando US$ 5,494 bilhões, ante US$ 7,978 bilhões em igual mês do ano passado). Com isso, o Brasil teve superávit de US$ 1,73 bilhão com o país asiático no segundo mês deste ano.
O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, explicou que o principal produto importado pelo Brasil em fevereiro foi uma plataforma de petróleo, um equipamento com valor alto, de US$ 2,5 bilhões. "Embora a China tenha caído [em valor nas importações], a Ásia não, por conta do fenômeno da importação da plataforma da Coreia do Sul", explicou Brandão.
União Europeia e Argentina
As exportações de produtos brasileiros para a União Europeia subiram 34,7% em fevereiro deste ano e somaram US$ 4,232 bilhões, ante US$ 3,141 bilhões em fevereiro de 2025. As compras caíram 10,8% (somando US$ 3,301 bilhões, ante US$ 3,700 bilhões no mesmo mês do ano passado). A balança comercial com este bloco resultou num superávit de US$ 931 milhões.
No caso da Argentina, as exportações caíram 26,5% e somaram US$ 1,057 bilhão. As importações também diminuíram 19,2% e totalizaram US$ 850 milhões. Logo, a balança comercial com este parceiro comercial apresentou superávit de US$ 207 milhões.
Argentina e UE, ao lado da China e dos Estados Unidos, são os principais parceiros comerciais do Brasil.