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Taxas dos DIs voltam a disparar com busca por ativos seguros em meio à guerra

5 mar 2026 - 17h00
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Após uma interrupção na véspera, as ‌taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com altas fortes, acima dos 20 pontos-base em alguns vencimentos, com os investidores voltando a assumir posições mais defensivas em função da guerra no Oriente Médio.

Com o dólar também voltando a subir ante o real, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 12,975% no fim da tarde, com elevação de 19 pontos-base ante ⁠o ajuste de 12,781% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para ‌janeiro de 2035 marcava 13,68%, com avanço de 24 pontos-base ante 13,445%.

Na quarta-feira, as taxas futuras haviam cedido no Brasil em meio a certa recuperação dos ativos de risco ao ‌redor do mundo, mas nesta quinta-feira os investidores voltaram a ‌buscar ativos de proteção, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio.

Mísseis iranianos ⁠levaram milhões de israelenses a correrem para abrigos antiaéreos, enquanto Israel lançou uma grande onda de ataques a Teerã. Em outra frente, mais navios-tanque foram atacados nas águas do Golfo Pérsico pelo Irã, e drones iranianos entraram no Azerbaijão.

Em entrevista à Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que aceitará a assistência de qualquer país no conflito contra o Irã -- incluindo a Ucrânia, ‌hoje em guerra com a Rússia.

Sem uma perspectiva de fim para a guerra, o dólar voltou ‌a subir ante as demais divisas, ⁠o petróleo sustentou altas ⁠firmes e os rendimentos dos Treasuries avançaram, em meio aos receios dos impactos do conflito sobre a inflação ⁠e a política monetária dos EUA.

Na renda fixa ‌brasileira, isso se traduziu na alta ‌forte das taxas futuras. Às 15h26, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 12,990%, em alta de 21 pontos-base ante o ajuste da véspera. 

O avanço ocorreu em meio às especulações sobre o tamanho do corte da Selic a ser ⁠aplicado pelo Banco Central este mês: 25 ou 50 pontos-base. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano.

Na B3, as opções de Copom precificavam na terça-feira -- dado mais recente -- 53,50% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic, 36,00% de chance de redução de 25 pontos-base e 11,50% de possibilidade de manutenção. Na sexta, ‌antes da guerra, os percentuais eram de 77,50% para corte de 50 pontos-base, 20,04% para redução de 25 pontos-base e zero para manutenção.

Na manhã desta quinta-feira, em evento do Goldman Sachs ⁠em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse que a esperada "calibração" na Selic neste mês não representa um afrouxamento da política monetária, enfatizando que a autarquia não busca uma taxa de juros real neutra e que o ciclo de corte vai terminar ainda em ponto restritivo.

Ele afirmou ainda que a indicação futura de corte de juros dada pelo BC em janeiro "segue válida". 

No início da sessão desta quinta-feira no Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego subiu para 5,4% nos três meses até janeiro, ante 5,1% dos três meses até dezembro.

A leitura dos três meses até janeiro ficou em linha com a expectativa de economistas em pesquisa da Reuters. No mesmo período do ano anterior, a taxa havia sido de 6,5%.

Às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 6 pontos-base, a 4,138%.

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