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Sem fechar acordo, Avianca pode perder aviões por calote

Companhia tem até sexta-feira (1º) para apresentar proposta de pagamento às arrendadoras de aeronaves

31 jan 2019
04h10
atualizado às 08h18
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Na véspera do fim do prazo concedido pela Justiça para a Avianca apresentar uma proposta de pagamento às arrendadoras de aeronaves, a companhia ainda não fechou nenhum acordo. Até a noite de quarta-feira, 30, das oito empresas donas de aviões que têm valores a receber, duas não quiseram nem sentar para conversar, apurou o "Estado". As outras receberam representantes da Avianca, mas não chegaram a uma conciliação.

Em audiência no último dia 14, a Justiça deu até esta sexta-feira para a Avianca apresentar a proposta e se comprometer a realizar os próximos pagamentos nas datas de vencimento. Caso contrário, o juiz Tiago Henriques Papaterra Limongi, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, poderá determinar reintegração de posse dos aviões.

Aeronave da Avianca no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo
Aeronave da Avianca no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo
Foto: Mister Shadow / ASI / Estadão Conteúdo

O "Estado" apurou que duas companhias - JSA e Willis, que, juntas, possuem três aeronaves utilizadas pela Avianca - apresentaram petições, na terça, comunicando o juiz que a proposta da Avianca é inaceitável. Em geral, as ofertas da Avianca às empresas não estão envolvendo pagamentos.

A cartada que a companhia guarda da manga é o anúncio de um aporte de R$ 250 milhões do fundo americano Elliot. Segundo fontes próximas à aérea, a injeção de recursos não está 100% garantida, mas as discussões avançaram bastante nos últimos dias.

Há empresas de arrendamento, porém, que não têm interesse em continuar alugando aviões para a Avianca, ainda que valores atrasados sejam pagos. Segundo fontes, o desgaste nos últimos meses para se tentar chegar a um acordo foi grande.

A crise da Avianca começa ainda a respingar em outras companhias aéreas, que se preocupam com a possibilidade de os aluguéis de aeronaves subirem por causa do descumprimento da Convenção da Cidade do Cabo. O acordo, firmado por vários países, entre eles o Brasil, permite às empresas de arrendamento pedirem o cancelamento de matrículas de aviões em caso de calote.

Há duas semanas, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) havia informado que retiraria dez matrículas de jatos operados pela Avianca a pedido da GE, dona das aeronaves. A Justiça, no entanto, suspendeu o cancelamento das matrículas até 1º de fevereiro.

Em recuperação judicial, a Avianca soma quase R$ 500 milhões em dívidas, sem considerar os débitos das arrendadoras. Procurada, a empresa não quis se pronunciar.

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Estadão
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