Aviação viveu década perdida e hoje compete com as bets, diz presidente da Gol
Segundo Celso Ferrer, mercado brasileiro, que tem em torno de 100 milhões de passageiros, poderia ser maior, com mais gente da classe média viajando
O presidente da Gol, Celso Ferrer, afirmou que o mercado brasileiro estagnou em torno de 90 milhões a 100 milhões de passageiros e tem potencial de ser maior. Segundo ele, atualmente o setor tem como concorrentes não as empresas de ônibus ou outro modal de transporte, mas outras formas de consumo, como as bets.
"O setor passou por uma mudança no comportamento do consumidor, que perdeu, nos últimos dez anos, 19% de sua renda, e isso reflete no volume de passageiros", disse Ferrer, durante o Seminário Lide Turismo sobre os desafios do setor de turismo.
"Tem essa primeira onda nos anos 2000, depois tem a chegada da Azul, que vem para o mercado regional, cresce mais, e depois a gente tem o que a gente chama de década perdida na aviação, quando o Brasil chegou a 100 milhões de passageiros, de 2010 a 2020?, explica. "Claro, 2020 é a pandemia, mas, de 2010 a 2020, a aviação ficou ali gravitando em torno dos 95, 100 milhões de passageiros. E, quando a gente olha para isso e vê o efeito que isso tem no turismo, é brutal."
"Hoje, estamos competindo com outras formas de consumo, como as bets, compras online. As pessoas são estimuladas a outras formas de consumo mais prioritário."
O executivo se refere a um contexto em que hoje há mais passageiros no setor (no ano passado, o número foi recorde), porém as pessoas que viajam são as mesmas: ocorre que viajam mais vezes. Quem teria potencial de viajar também é aquele público de classe média, classe C, que não tem voado tanto, porque a renda que poderia ser utilizada para o turismo é disputada pelas bets e por outras formas de consumo online.
O executivo ressaltou que as companhias aéreas, para manter o volume de passageiros no atual patamar, têm praticado tarifas em torno de US$ 40 a US$ 100, o mesmo valor cobrado há algum tempo. "O problema não é tarifa, é a perda de renda do brasileiro e a competição com outras formas de consumo", disse Ferrer.
"Daqui para a frente, a próxima onda de crescimento da aviação tem que vir com uma política de desoneração, no País e nos Estados. Temos capacidade de crescer em até 50% o número de passageiros no Brasil."
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.