Australiana Lynas anuncia compra da Meteoric e leva projeto de terras raras em MG por R$ 3,48 bi
Projeto Caldeira, em Minas Gerais, é descrito em comunicado como a maior reserva conhecida de argila iônica com recursos de óxidos de terras raras fora da China
A australiana Lynas Rare Earths fechou acordo vinculante para comprar 100% da Meteoric Resources por R$ 3,48 bilhões em troca de ações. Com isso, assume o projeto Caldeira, em Minas Gerais, considerado o maior depósito de argila iônica de terras raras fora da China. A operação prevê linha de financiamento de até 110 milhões de dólares australianos para apoiar o desenvolvimento do ativo e depende da aprovação da Justiça e de acionistas, cuja diretoria recomendou aceitar a oferta por unanimidade.
A australiana Lynas Rare Earths informou que assinou um acordo vinculante para adquirir 100% da Meteoric Resources por meio de um "scheme of arrangement" (mecanismo jurídico previsto na lei societária australiana) aprovado pela Justiça, operação que reúne o projeto Caldeira, em Minas Gerais, aos ativos atuais da Lynas na Austrália e na Malásia. A Caldeira é descrita no comunicado como a maior reserva conhecida de argila iônica com recursos de óxidos de terras raras fora da China, reportada sob o padrão JORC (código internacional padrão para divulgação de recursos e reservas minerais).
A proposta prevê troca de ações: os acionistas da Meteoric receberão 0,0207 ação da Lynas por cada ação da Meteoric. A relação de troca implica valor de 968 milhões de dólares australianos (US$ 672,76 milhões ou R$ 3,48 bilhões, segundo a cotação mais recente disponibilizada pelo Banco Central) para a Meteoric, considerando base totalmente diluída e o VWAP de 60 dias da Lynas, segundo fato relevante divulgado na Austrália.
Segundo a empresa, o projeto Caldeira tem estudo de viabilidade definitivo (DFS) concluído e potencial de produção média anual estimada de 3.862 toneladas de NdPr e 127 toneladas de DyTb (tipos de elementos encontrados em terras raras) ao longo da vida útil da mina, com base no DFS da Meteoric.
Como parte do acordo, a Lynas prevê uma linha de financiamento interina de até 110 milhões de dólares australianos (US$ 76,45 milhões ou R$ 396 bilhões) para a Meteoric, para seguir com o desenvolvimento do projeto, custos de transação e capital de giro durante o processo. Um primeiro desembolso de 35 milhões de dólares australianos (US$ 24,325 milhões ou R$ 125,98 bilhões) seria disponibilizado após a assinatura do acordo, e o restante dependerá de condições, segundo o comunicado.
A companhia destacou ainda que, ao fim da transação, pretende trabalhar com a equipe atual da Meteoric e que avalia oportunidades de processamento downstream no Brasil.
O presidente do conselho da Lynas, John Humphrey, afirmou que "expandir as operações para um novo país ajudará a Lynas a manter sua posição de liderança na cadeia global de suprimento de terras raras". Já o presidente do conselho da Meteoric, Andrew Tunks, disse que a transação "valida a qualidade do projeto" e que a Lynas traria "expertise técnica, credibilidade global e força de balanço para acelerar" a Caldeira.
A administração da Meteoric recomendou por unanimidade a aprovação, condicionada à ausência de proposta superior e a parecer favorável de especialista independente. O maior acionista da Meteoric, Tolga Kumova, com cerca de 6,7% das ações, indicou intenção de votar a favor sob as mesmas condições, mas ressalvou que pode negociar papéis antes da assembleia.
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