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Amazon, Apple e Google lideram ranking das ações estrangeiras mais negociadas

21 mai 2019
16h40
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As ações da Amazon, Apple e Google são os papéis estrangeiros mais negociados na bolsa de valores brasileira em 2019. Essas empresas podem ser negociadas por brasileiros e no Brasil através de Brazilian Depositary Receipts (BDRs), que são recibos de ações de empresas estrangeiras. É a operação inversa das brasileiras que têm papéis negociados em Nova York, através das American Depositary Receipts (ADRs), como a Vale e Petrobras. Em São Paulo, Microsoft, Disney, Facebook e Boeing também estão entre as companhias mais movimentadas.

Em 2018, o volume negociado de BDRs foi de R$ 22,9 milhões, o que representa um aumento de 172% em relação ao ano anterior, que foi de R$ 8,4 milhões. Neste ano, até abril, o volume de BDRs já é de R$ 14,31 milhões. Entre os recibos mais negociados, a Amazon (AMZO34) é o papel mais líquido e respondeu por 8,26% do giro registrado pela bolsa paulista ou pouco mais de R$ 1,18 milhão neste ano. Em seguida, aparece Apple (AAPL34) com 6,22% dos negócios e Google (GOGL34), com 5,54%.

Os papéis de empresas estrangeiras são identificados na B3 com códigos de quatro letras com final 34 ou 35 e, apesar de o investidor ficar exposto às variações de preços de um ativo estrangeiro, as operações são realizadas no Brasil e a liquidação é feita totalmente em real.

De acordo com o analista da Mirae Asset, Pedro Galdi, o investidor pode ganhar nesse tipo de operação porque os movimentos de ações lá fora podem refletir em altas nas BDRs aqui. "Se você tem uma economia dinâmica como a norte-americana, com índices subindo, você vai ter um ativo aqui que vai refletir os resultados da empresa lá de fora", explica Galdi.

O analista nota que esse tipo de investimento pertence ainda a um universo muito restrito. Como as operações com BDRs são exclusivas para investidores qualificados, que possuem capital acima de R$ 1 milhão, essa operação ainda é muito pouco conhecida por aqui. "É um investidor muito específico, com grande poder aquisitivo, que quer comprar ativos lá fora para não ter o trâmite de abrir uma conta no exterior", explica Galdi.

Risco cambial

O operador da Guide Investimentos Luciano Damatto alerta, porém, que esse investimento está exposto duplamente: à oscilação da ação original no exterior e também à cotação do dólar versus real. "O principal risco é a variação do dólar. A empresa pode se valorizar lá fora, mas se o dólar se apreciar (e o real cair) pode haver variação negativa", explica.

Títulos de várias empresas estrangeiras podem ser comprados na bolsa brasileira, tais como papéis atrelados à Disney, McDonald's, Netflix, além da fabricante de carros elétricos Tesla, o banco JPMorgan e o supermercado Walmart. Empresas de outros países como a Canadian Pacific Railway, o banco alemão Deutsche e a multinacional de bebidas Fomento Económico Mexicano (FEMSA), também são negociadas aqui.

Para pessoas físicas, uma forma de investir nesse tipo de papel é via fundos de investimentos atrelados a BDRs. Fundos multimercados oferecem essa diversificação sem a necessidade ter um capital muito elevado. Segundo a B3, há cerca de 1.900 investidores com posição em papéis de estrangeiros na bolsa paulista, sendo que os investidores institucionais são 78% deles. Pessoas físicas são apenas 6% dos detentores de BDRs.

Especialistas dizem que a vantagem de investir nessa opção é deter ações de empresas estrangeiras sem a necessidade de abrir uma conta em corretora estrangeira, nem realizar trâmites de um investimento internacional. Damatto diz que a escolha entre abrir uma conta em um corretora no exterior ou investir diretamente é pessoal. "Abrindo lá fora, o cliente teria que fechar câmbio e enviar recursos para negociar. Aqui é tudo é real."

Galdi observa, contudo, que o grande pano de fundo é um mercado ainda pequeno de renda variável no Brasil. Este mês, a bolsa atingiu o número inédito de 1 milhão de pessoas físicas no mercado de ações. Isso representa 0,85% da força da caderneta de poupança, que hoje reúne 117 milhões de clientes no País, de acordo com dados da B3. "O brasileiro mal conhece as empresas locais, que dirá as internacionais."

Estadão
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