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Alckmin e Fonteles são principais apostas para comando da Fazenda, dizem fontes

27 out 2026 - 13h10
(atualizado às 13h53)
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Resumo
Após forte reação negativa do mercado à sua reeleição, Lula avalia nomes para o Ministério da Fazenda focando em disciplina fiscal e credibilidade. O vice Geraldo Alckmin e o governador Rafael Fonteles despontam como favoritos, sem descartar a permanência de Dario Durigan. A preferência por nomes de fora do PT visa acalmar investidores, enquanto a decisão final permanece atrelada à montagem da Casa Civil, onde Fernando Haddad e Camilo Santana são cogitados para compor o núcleo do novo governo.

A forte reação dos mercados à reeleição surpreendente ‌de Luiz Inácio Lula da Silva fez aumentar a expectativa de que o presidente escolherá um ministro da Fazenda para o seu próximo mandato capaz de enviar um sinal mais firme de disciplina fiscal e contribuir para tranquilizar investidores.

Pessoas próximas a Lula afirmam que ele provavelmente levará algum tempo para tomar uma decisão, mas três fontes disseram que dois nomes têm se destacado para o cargo: o vice-presidente Geraldo Alckmin e Rafael Fonteles, governador do Piauí reeleito.

O matemático Fonteles, de 41 anos, ⁠é visto como um tecnocrata afeito à disciplina fiscal, capaz de fazer a ponte entre o governo de Lula e investidores ‌desconfiados. Ele tem mestrado em economia matemática e atuou como secretário de Fazenda do Piauí de 2015 a 2022. Também cumpriu dois mandatos como presidente da Comsefaz, que representa os secretários estaduais de Fazenda.

Alckmin, de 73 anos, é do PSB ‌e já foi o rival de centro-direita do presidente, tendo sido derrotado ‌por Lula na eleição presidencial de 2006. Também foi governador de São Paulo por dois mandatos e ex-ministro do ⁠Comércio e Desenvolvimento.

A Reuters informou no início deste mês que Lula estava considerando Alckmin para o cargo de ministro da Fazenda a fim de reforçar sua credibilidade fiscal e conquistar eleitores centristas.

Fonteles ganhou destaque na campanha de Lula com a reorganização que se seguiu ao resultado do primeiro turno, liderado por Flávio, da qual foi peça importante.

Membro do PT, ele é um aliado próximo do ex-ministro da Educação de Lula e senador eleito Camilo Santana. Os dois trabalharam juntos na campanha de ‌Lula no Nordeste do Brasil, onde o presidente garantiu uma vantagem confortável.

Em seu discurso de vitória, Lula agradeceu a Fonteles por ‌seu papel na campanha, mas observou que ⁠o governador ainda tinha uma "missão ⁠a cumprir no Piauí", o que alguns aliados interpretaram como um sinal de que ele pode estar relutante em incluí-lo no gabinete tão ⁠cedo.

No mesmo discurso, Lula elogiou efusivamente a lealdade de Alckmin e chegou ‌a passar o microfone a ele antes ‌de falar.

Lula quer um ministro da Fazenda em quem confie plenamente, disse uma das fontes. Alckmin é alguém em quem Lula confia "100%", observou outra fonte.

"Hoje em dia, há pouquíssimas pessoas fora do PT que tenham esse tipo de relação com Lula", disse uma delas.

Nessa linha, as três fontes não descartaram a possibilidade de Lula eventualmente acabar ⁠decidindo manter o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, que não é filiado a nenhum partido. Embora Durigan não tenha o peso político de alguns rivais, Lula o valoriza muito e o considera "jeitoso", segundo uma quarta fonte.

Pesam a favor de Alckmin e Durigan o fato de não serem filiados ao PT -- duas fontes afirmaram que Lula entende que um nome do partido teria mais dificuldade em conter o mau humor dos investidores ‌ao longo do tempo.

A segunda-feira pós-eleição foi de derrocada para os ativos brasileiros e de pessimismo nas mesas de operação, com muitos investidores realizando prejuízos e ajustando apostas para o futuro das políticas monetária e fiscal no Brasil. O ⁠dolar sofreu a maior alta em 23 anos e o Ibovespa despencou quase 14%. Nessa terça-feira, os mercados estavam mais comportados, mas a bolsa paulista ainda operava com queda.

HADDAD

As três fontes afirmaram que a escolha de Lula para o cargo de ministro da Fazenda está cada vez mais ligada à decisão do presidente sobre eventual nomeação do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao comando da Casa Civil.

Haddad, membro do PT, deixou o Ministério da Fazenda no início deste ano para concorrer ao cargo de governador de São Paulo a pedido de Lula — apesar de as pesquisas indicarem uma provável derrota —, a fim de fortalecer a base do presidente no Estado mais populoso do Brasil. Ele foi derrotado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no primeiro turno.

A avaliação é que com Haddad na Casa Civil, e Durigan ou Alckmin na Fazenda, estaria assegurado o maior alinhamento da equipe econômica com a Presidência da República, já que Haddad tem laços estreitos com ambos.

Já a eventual indicação de Fonteles à Fazenda é vista pelas fontes como possível dobradinha à ida de Camilo para a Casa Civil, outra possibilidade em jogo.

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