Agrishow: New Holland investe R$ 100 milhões em fábrica de plataforma de colheitadeiras em Curitiba
Expectativa é de estabilidade a leve retração nas vendas de máquinas agrícolas em 2026, diz o vice-presidente de Marketing da CNH para a América Latina, Eduardo Kerbauy de Freitas Luís
RIBEIRÃO PRETO (SP) - A CNH, detentora da marca New Holland, investiu mais de R$ 100 milhões na fábrica de Curitiba (PR) para preparar a produção de uma nova linha de plataformas de alta performance para colheitadeiras de grãos, afirmou o vice-presidente de Marketing da CNH para a América Latina, Eduardo Kerbauy de Freitas Luís, durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 28, na 31ª Agrishow, que segue até o dia 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP).
Segundo o executivo, a nova unidade será dedicada à fabricação de plataformas de colheita, com cada modelo desenvolvido para atender de forma específica a um modelo de máquina do portfólio da companhia.
"O investimento foi na ordem de mais de R$ 100 milhões. Estamos falando do investimento feito na fábrica de Curitiba para preparar a produção dessa nova linha de plataformas", reafirmou.
Sobre o mercado de máquinas agrícolas, Kerbauy comentou que a expectativa da companhia é de estabilidade a uma leve retração nas vendas totais do setor em 2026, com variação entre estabilidade e queda de até 5%.
Sobre as vendas da marca New Holland, ele disse que não abre números e assinalou que essa expectativa diz respeito ao mercado de máquinas agrícolas como um todo, diante do cenário de alto endividamento do produtor rural, juros altos, alta de preços de insumos e queda nos preços dos grãos.
Ele ponderou que a decisão de renovação de máquinas pelo produtor rural depende não apenas da geração de receita, mas principalmente da rentabilidade da atividade e da capacidade de compra do agricultor.
Segundo ele, embora o produtor de grãos tenha mantido boa geração de receita e recordes sucessivos de produção, a perda de rentabilidade tem afetado principalmente o segmento de colheitadeiras de grãos, tornando esse nicho mais sensível nas vendas. Já os tratores de até 100 cavalos seguem com desempenho mais positivo no mercado.
"A perda de rentabilidade está mais acentuada na parte de grãos. Por isso, quando eu falo de colheitadeiras de grãos, ela tem uma dinâmica um pouquinho mais afetada e é um segmento que está sentindo mais nas vendas. Já os tratores de 100 cavalos continuam com uma boa tendência de vendas", afirmou.
Expectativa de vendas na feira
Questionado sobre o desempenho comercial da Agrishow nos primeiros dias da feira, o executivo evitou antecipar um balanço, dizendo que ainda é cedo para medir o impacto efetivo do evento, especialmente porque muitos pedidos iniciados durante a feira costumam ser concretizados posteriormente. "A nossa expectativa é a de que praticamente se mantenha o nível de vendas. Mas eu prefiro passar uma visão da Agrishow após esse fechamento. Agora é prematuro", disse.
Kerbauy também comentou a estratégia da New Holland no desenvolvimento de máquinas movidas a biocombustíveis e destacou a aposta inicial da marca no metano como principal alternativa energética. Segundo ele, a escolha foi feita por considerar o combustível como o "denominador comum" global para a evolução dos produtos da empresa, sem descartar avanços futuros para outras fontes energéticas.
"A New Holland escolheu trabalhar primeiro com a parte de metano, pensando que, globalmente, é o denominador comum que nós temos na evolução de produtos. Nada impede de evoluirmos para outras áreas e outros combustíveis", afirmou.
O executivo ressaltou ainda que setores como pecuária, agricultura em geral e especialmente a cadeia da cana-de-açúcar aparecem como líderes na geração de biogás no Brasil, o que favorece a adoção desse tipo de tecnologia no campo.
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