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A democracia pode ser transformada pelo digital

Democracia Digital: um conceito que está na sua porta. Literalmente.

23 fev 2022 - 03h00
(atualizado às 11h25)
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Foto: Pixabay

A democracia ocidental está em crise. Prevalece o desinteresse e descrença nas instituições. Discute-se política como nunca. Mas também nunca tivemos índices tão altos de brancos e nulos nos processos eleitorais ou, e aí muitos vão se identificar, o voto em A para evitar B.

Será que isso poderia ser transformado pelo digital?

E se nossa representação política fosse pautada não pela geografia, mas por outro critério, e de base digital? De alguma forma isso já acontece, quando falamos de ONGs, associações, sindicatos ou mesmo grupos religiosos. Montamos essas redes de acordo com nossos valores e conveniencias. Entretanto, quando vamos para nossa representação eleitoral, a geografia é o fator definidor.

Se a minha identificação de valores não se dá com meu vizinho e sim com pessoas em um universo virtual que eu escolhi, não seria com essa galera que eu deveria escolher meus representantes e determinar as leis e convenções para viver minha vida?

O fato é que meu vizinho vai continuar morando lá. A convivência será inevitável. E nunca teremos leis e convenções que falem por todos.

Estão inseridos em nosso coditiano os hábitos virtuais que vão desde a forma de produzir (work from home), consumir (e-commerce), estudar (e-learning), nos divertir (streaming) e por aí vai. Observamos terrenos sendo negociados no metaverso mesmo sem ninguém saber direito como será isso. Estamos mergulhando de cabeça no mundo digital.

Todas as promessas de inovações que batem na nossa porta prometem (ameaçam?) que vamos caminhar de uma forma rápida e irrefletida para um momento onde nossa vida digital será maior, mais divertida e mais barata do que a vida real. Nesse universo, e as redes sociais foram apenas uma degustação, tendemos a nos aproximar de iguais. 

Na vida real não temos muitas escolhas, tenho que conviver com pessoas de valores distintos que não valorizam aquilo que nos é importante.

No mundo digital não. Eu defino. Estou na comunidade que reafirma minhas crença (ou a ausência dela). E aí tudo é mais divertido. Não tem conflito. É lá que exercemos nossa vocação autoritária de limitar nossa visão à nossa interpretação do mundo.

O problema dessa equação é que o conflito da convivência nos faz crescer. Por mais que você não queira, o líder do executivo irá te representar e tomar decisões que vão influir na sua vida. E pensar que foram seus vizinhos que colocaram ele lá, e que são muitos, e que às vezes (poucas) são pessoas que você gosta e até respeita, te obriga a refletir, confrontar, se posicionar e enfrentar.

Como seríamos hoje se nunca tivéssemos sido confrontados em nossas verdades? Muito provavelmente essas verdades seriam outras, e provavelmente não seriam nossas. Estamos longe de ter respostas para essas questões. Tudo corre tão rápido que ainda nem devemos estar fazendo as perguntas certas. Nos antecipar e refletir sobre essas possibilidades e dar um ordenamento racional e refletido pode funcionar para conter danos.

É importante a organização entre iguais, fortalece a representatividade de nossos valores e o mundo digital abriu um espaço para ampliarmos esses vínculos e também para sermos ouvidos. Mas isso não pode nos impedir de nos relacionar com os diferentes. 

A construção desse equilíbrio é o que deve nos pautar. Diante de uma transformação em curso que nos atropela, temos que ser seletivos e escolher nossas batalhas. Salvar a democracia é uma que vale a pena.

(*) Rodrigo Guerra é economista e consultor. Atua conectando empreendedores com investidores, e é fundador do site Unbox.

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