Três ótimos profissionais estão desperdiçados na Globo
Canal não aproveita o potencial de uma apresentadora experiente, um novo âncora de telejornal e um talentoso autor de novelas
Estar empregado no Grupo Globo não garante a visibilidade ou o reconhecimento merecidos. Há artistas, criadores e jornalistas sem conseguir performar o seu melhor.
Sandra Annenberg, 54 anos, está desde o fim de 2019 na apresentação do ‘Globo Repórter’. Sua função é basicamente ir ao estúdio uma vez por semana para gravar as ‘cabeças’ dos blocos de reportagem.
Uma atividade aquém do talento e da competência da jornalista. Ela já fez muito mais no canal do que apenas ler textos no teleprompter.
No ‘Jornal Hoje’ e no ‘Como Será?’, por exemplo, tinha a oportunidade de comentar notícias e fazer entrevistas. Sempre se mostrou bem-informada, além de exalar aquele carisma irresistível.
Faz tempo que circula nos corredores da Globo o rumor de que Annenberg está insatisfeita. Ela teria pedido à direção de jornalismo para voltar ao ‘hard news’, ou seja, a algum telejornal. Não foi atendida.
Em dezembro, a apresentadora levou um baque com a saída do marido, o veterano repórter Ernesto Paglia, após quase 44 anos na emissora. A demissão faz parte da reestruturação que afeta quem tem mais tempo de casa e salário maior.
Dias atrás, Sandra reforçou a impressão de que está incomodada com sua posição atual ao curtir uma postagem no Twitter.
“A pior troca dos últimos tempos na Globo foi tirar ela do JH”, escreveu o usuário Pedro Silva. Não há como negar: a substituição de Annenberg por Maju Coutinho não funcionou. Tanto é que César Tralli foi escalado para assumir o telejornal vespertino dois anos depois.
Sandra está na Globo desde 1991, quando estreou como ‘garota do tempo’ apresentando o boletim da previsão meteorológica. Passou por diferentes bancadas como titular ou interina. É uma das jornalistas mais populares da TV e nas redes sociais.
Sabe-se que a apresentadora já recebeu convites de outras emissoras. Não será surpresa se deixar a Globo em razão de seu descontentamento por se sentir preterida.
Ainda no campo do jornalismo, Tiago Eltz está subaproveitado no ‘GloboNews Mais’. Apesar de ser igualmente âncora como a colega de bancada Julia Duailibi, ele aparece bem menos.
A apresentadora costuma interagir mais com o comentarista Octávio Guedes do que com Eltz. O jornalista fica excluído da maioria das análises sobre política, a especialidade de Julia e Octávio.
Antes de integrar o telejornal na TV paga, Tiago passou cinco anos em Nova York como correspondente da Globo e GloboNews. Sempre imprimiu personalidade nas matérias e entradas ao vivo.
Agora, no ‘GloboNews Mais’, ele parece ‘amarrado’ ao roteiro das notícias e ofuscado pelos outros jornalistas do estúdio.
No departamento de novelas, um dos autores mais experientes e criativos da Globo está há anos na fila à espera de um ‘ok’ para colocar um folhetim no ar.
Ricardo Linhares, 60 anos, não emplaca um projeto próprio às 21h desde ‘Babilônia’, de 2015. Depois daquela trama rejeitada pelo público, escrita com o saudoso Gilberto Braga, fez apenas a supervisão do texto de outros autores.
Como roteirista principal, coautor ou colaborador, ele escreveu vários sucessos. A lista inclui ‘Tieta’, ‘Pedra sobre Pedra’, ‘Celebridade’ e ‘Paraíso Tropical’.
No momento, Linhares aguarda a definição da cúpula da teledramaturgia global a respeito da sinopse de ‘O Grande Golpe’, desenvolvida com Maria Helena Magalhães para a faixa das 9 da noite.
Com a demissão e a aposentadoria de grandes dramaturgos, a exemplo de Aguinaldo Silva e Manoel Carlos, Ricardo Linhares é um dos poucos novelistas da velha guarda ainda à disposição da Globo. Deixá-lo na ‘geladeira’ é um erro. Ele conhece como poucos o gosto do público.