Três chatices e três pontos interessantes na transmissão desta Copa
Cobertura mais plural, comentaristas sem filtro e maior presença feminina convivem com polêmicas repetitivas
Toda Copa do Mundo é acompanhada por discussões que extrapolam os 90 minutos de jogo.
Emissoras, narradores e comentaristas também se transformam em protagonistas, para o bem e para o mal.
Desta vez, alguns temas geram obsessão nos programas esportivos e há novidades prazerosas.
As chatices:
1º - As intermináveis discussões nas mesas redondas sobre Neymar. Deveria ou não ter sido convocado? Tem ou não condição de jogar? Ajuda ou prejudica os outros 25 do elenco? É um assunto ainda sem conclusão que rende bate-boca repetitivo entre comentaristas.
2º - As indiretas (diretíssimas) entre narradores da Globo e da CazéTV. Provocações desnecessárias e sem graça. O público quer ver bola rolando e análises coerentes, e não ficar no meio da rixa entre os dois canais.
3º - O ‘delay’ das imagens. O telespectador fica sem saber onde vão gritar “gol” primeiro. Nas redes sociais, há uma recorrente comparação do atraso na TV, no streaming e no YouTube. Essa falha tecnológica precisa ser solucionada.
(Chatice extra: o sistemático racismo no futebol, visto no gesto de supremacia branca feito por um assistente de VAR e em um narrador de TV da Argentina que classificou a França de “seleção africana” por ter maioria de jogadores negros.)
O mais interessante:
1º - A descentralização das transmissões e da cobertura dos bastidores, oferecendo ao brasileiro diferentes veículos e estilos de narração. É uma vantagem poder escolher entre Globo, SBT, CazéTV, SporTV, N Sports, GE TV e Globoplay.
2º - Maior número de mulheres na cobertura jornalística, especialmente na reportagem de campo e na função de comentarista. Destaque para Renata Silveira (Globo/SporTV), a primeira a narrar um jogo de Mundial.
3º - A liberdade total de comentaristas como Romário (CazéTV) e Felipe Melo (Globo/SporTV), que não têm medo de polemizar nem do cancelamento. Goste-se ou não deles, são autênticos e entretêm enquanto muitos colegas medem as palavras para não se comprometer.
(Fato interessante extra: a diversidade geracional de narradores, especialmente representada pela ‘lenda’ Galvão Bueno, 75 anos, do SBT/N Sports) e pelo sempre empolgado Luís Felipe Freitas, 38, da CazéTV.)
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