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Frenesi por goleiro negro da Copa expõe hierarquia de beleza entre negros 

Maduka Okoye prova como pele mais clara e traços menos marcadamente africanos podem tornar homens pretos mais atraentes

17 jun 2026 - 11h40
(atualizado às 11h40)
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O colorismo nos ensina: quanto mais escura a pele, maior o preconceito contra o negro.

Essa percepção coloca retintos e pardos em lados distintos na escala de discriminação.

Temos uma prova disso ao ver a empolgação de mulheres e gays em torno do goleiro da Nigéria na Copa, Maduka Okoye, elogiado por Luana Piovani e apontado como novo affair de Virginia.

A beleza do rosto associada ao corpo musculoso e tatuado o coloca como galã.

Filho de um nigeriano e de uma germano-francesa, e nascido na Alemanha, ele está no meio da paleta de cores.

Os traços são menos marcadamente africanos do que os da maioria dos descendentes de africanos: nariz pequeno e fino, lábios não muito volumosos.

Okoye está mais próximo da beleza facial europeia, valorizada pelo olhar da maioria das pessoas, inclusive dos brasileiros.

Não se trata de negar a atratividade de Maduka Okoye. Pelo contrário.

Mas é legítimo perguntar se a reação em torno dele seria a mesma caso tivesse a pele escura e traços bem africanos.

Negro de ascendência germano-francesa, Maduka Okoye tem 26 anos, 1,98m de altura e se tornou um dos galãs da Copa 2026
Negro de ascendência germano-francesa, Maduka Okoye tem 26 anos, 1,98m de altura e se tornou um dos galãs da Copa 2026
Foto: Reprodução

Em sociedades marcadas pelo ideal de beleza eurocêntrico, pessoas negras de pele mais clara e feições consideradas mais próximas do padrão branco recebem maior aceitação social.

É uma preferência estética que não surge por acaso, mas de séculos de manutenção ou imposição de estereótipos sobre o que é bonito e feio, sensual ou desinteressante.

No Brasil, essa hierarquia informal é percebida até na linguagem cotidiana.

Enquanto alguns negros são prontamente identificados como pretos, outros são descritos com eufemismos — ‘moreno’, ‘mulato’, ‘jambo’, ‘marrom-bombom’ etc. — que os aproximam da branquitude.

A necessidade de suavizar a palavra ‘negro’ revela como a sociedade ainda associa diferentes valores às tonalidades de pele.

Cabe o exemplo de uma cena da novela ‘Vale Tudo’, que simboliza um pensamento recorrente na vida real. 

Diante da nora negra Fátima, a declaradamente racista Odete Roitman minimiza a identidade racial. “Ela nem é tão preta assim”.

Isso não significa que pessoas negras de pele clara estejam livres do racismo, tampouco que sejam menos pretas.

Trata-se apenas de reconhecer que a discriminação não se distribui de forma igual entre todos os integrantes da população afrodescendente.

Talvez por isso o fenômeno Maduka Okoye diga mais sobre quem o admira do que sobre o próprio goleiro afro-europeu.

A repercussão em torno dele ressalta ainda a objetificação do corpo do homem preto. Mas esse é tema para outra conversa.

Homens pretos de pele mais clara e traços faciais mais suaves sobem alguns degraus na escala de beleza baseada no padrão europeu
Homens pretos de pele mais clara e traços faciais mais suaves sobem alguns degraus na escala de beleza baseada no padrão europeu
Foto: Reprodução
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