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Negros quase não aparecem nas listas de jogadores mais bonitos da Copa

Como se não bastasse a recorrente discriminação em campo, atletas pretos são excluídos por não atender ao padrão estético mais admirado

15 jun 2026 - 11h26
(atualizado às 11h26)
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Basta uma olhada rápida nas listas dos jogadores mais atraentes da Copa 2026 — populares nas redes sociais — para verificar que negros são exceção. 

Na maioria delas, não aparece nenhum.

Predominam atletas de fenótipo europeu. Entre os mais citados, nórdicos e tipos mediterrâneos. Branco e de olhos claros, o goleiro brasileiro Alisson surge em alguns rankings.

No futebol não é diferente do que acontece em outros universos: os pretos são raramente vistos como belos.

O cabelo crespo, as narinas largas e os lábios grossos, entre outras características da ascendência africana, são alvo de desprezo e até chacota.

Quem nunca ouviu por aí agressões verbais a exemplo de “fulano tem cabelo ruim”, “aquele lá possui nariz de macaco”, “sicrano tem beiço gigante”.

O racismo que grita no julgamento estético da população majoritária no Brasil está espelhado no maior evento planetário do futebol.

Jogadores como Kalidou Koulibaly (Nigéria), Folarin Balogun (Estados Unidos), Vini Jr. (Brasil) e Mike Maignan (França) enfrentam o preconceito contra os homens de pele escura e traços negroides
Jogadores como Kalidou Koulibaly (Nigéria), Folarin Balogun (Estados Unidos), Vini Jr. (Brasil) e Mike Maignan (França) enfrentam o preconceito contra os homens de pele escura e traços negroides
Foto: Reproduções

Nessas listas, quando surge um preto elogiado, geralmente tem pele mais clara e traços faciais finos, como o goleiro da Nigéria Maduka Okoye, que na peculiar visão racial brasileira seria tratado como “moreno”.

Outro caso de explícita discriminação por aparência envolve a seleção da França: 18 dos 26 convocados são negros, provocando indignação em parte dos franceses conservadores que não gostam de ver seu time representado por uma minoria étnica.

Nada disso significa que alguém seja obrigado a considerar todas as pessoas igualmente bonitas. A atração é subjetiva e as preferências individuais merecem ser respeitadas. 

O problema surge quando determinados padrões são tratados como universais e incontestáveis, enquanto outros são sistematicamente relegados à invisibilidade ou até alvo de repulsa.

Muitas dessas escolhas são influenciadas por décadas de hipervalorização de traços europeus e por uma cultura que vê o negro como inferior em vários aspectos, inclusive na estética.

Filho de um nigeriano e uma germano-francesa, o goleiro Maduka Okoye, da Seleção da Nigéria, aparece nas listas de galãs da Copa por ser um negro de pele mais clara e traços que remetem ao fenótipo europeu
Filho de um nigeriano e uma germano-francesa, o goleiro Maduka Okoye, da Seleção da Nigéria, aparece nas listas de galãs da Copa por ser um negro de pele mais clara e traços que remetem ao fenótipo europeu
Foto: Reproduções

Cabe aqui um questionamento feito pelo ex-jogador Tinga no ano passado, ao comentar as reações contra Virginia Fonseca por namorar Vini Jr. na época.

“A menina não pode escolher o cara porque ele é negão. Aí uns vão dizer ‘mas ele é feio’. Quem te disse quem é feio, bonito? Isso é uma coisa pessoal. Tem pessoas que tu acha bonito e eu acho feio.”

Driblar o olhar preconceituoso talvez seja o desafio mais importante. Significa abandonar estereótipos e se permitir enxergar a interessante diversidade de biotipos e características.

A Copa do Mundo, com sua impressionante pluralidade de povos, deveria servir justamente para ampliar esse repertório. Afinal, a beleza humana é vasta e merece ser admirada em sua totalidade.

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