SPTV 2ª Edição supera Velho Chico e vira fenômeno na Globo
Um telejornal local raramente supera a audiência do novelão das 21h da Globo. Pois isso tem acontecido com frequência na região metropolitana de São Paulo.
Em maio, a segunda edição do SPTV, exibida entre as novelas das 18h e 19h30, chegou a marcar 34 pontos em uma edição.
Esse índice é bem superior ao de Velho Chico. O folhetim, cuja meta é de 35 pontos, estacionou nos 28. As notícias regionais despertam mais interesse nos telespectadores paulistanos do que as tramas rurais da principal novela da emissora.
Em janeiro, o telejornal marcou 23 pontos de média no Ibope. No mês passado alcançou 31 de média, aumento de público de impressionantes 35%. Nenhum outro telejornal da TV aberta cresceu tanto em audiência no mesmo período.
À noite, o SPTV tem no comando o veterano Carlos Tramontina. Trata-se de um dos jornalistas com mais experiência e credibilidade no canal. Seus principais pontos positivos são a discrição e o comedimento.
O âncora nunca buscou tratamento de celebridade na mídia, ao contrário de vários colegas. Nos comentários informais feitos após a exibição de matérias, Tramontina jamais usa o tom exagerado e até pernóstico de certos apresentadores, tampouco tenta transformar o telejornalismo em show de humor.
Essa postura sempre coerente e reservada teve um efeito colateral: não o colocou sob os holofotes para voos mais altos na Globo. Por sua trajetória e desempenho, ele merece, por exemplo, fazer parte do rodízio de apresentadores que cobrem folgas e férias no Jornal Nacional. Porém, estar à frente de um telejornal local parece ser empecilho para a 'promoção'.
Tramontina completou neste mês 38 anos na emissora. "Entrei como repórter, para cobrir o chamado buraco de rua, matérias feitas na periferia. Em tese, mais simples; ao mesmo tempo, mais trabalhosas, porque você tinha de ir para os lugares mais feios, mais distantes e mais problemáticos", contou o âncora ao projeto Memória Globo.
Um dos momentos marcantes de sua carreira - ainda vívido na memória de muitos telespectadores - foi a entrada ao vivo no Fantástico, em 21 de abril de 1985, direto do Instituto do Coração, em São Paulo.
Naquele exato momento, o assessor de imprensa do presidente Tancredo Neves chegou ao local para anunciar a morte do político. Sem titubear, Tramontina comandou a transmissão que entrou para a história do telejornalismo brasileiro. Para assistir ao vídeo, clique .