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Série 'The Hard Times of RJ Berger' traz baixaria para atingir faixa etária dos 20

21 mai 2010 - 18h58
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Dave Itzkoff

Pode-se perceber muito sobre o espírito que norteia The Hard Times of RJ Berger já nos minutos de abertura do programa. Na primeira cena, o personagem título, um desastrado aluno de segundo ano em uma escola secundária, é mostrado na cama, envolvido em um ato de masturbação. A inesperada entrada de sua desatenta mãe leva o adolescente a suspender a brincadeira, mas basta um toque inocente dela no corpo do filho para que o ato se conclua involuntariamente.

Podem rolar os letreiros.

Não estamos falando de um filme inspirado pelas comédias de temas eróticos dos anos 80, a exemplo de Porky's, ou das atualizações posteriores da fórmula empreendidas por Judd Apatow e dirigidas à geração multiplex, e sim de uma série de TV que a MTV espera que seja capaz de conquistar os jovens da faixa dos 20 anos.

Com diálogos obscenos e situações sugestivas, The Hard Times of RJ Berger (cuja estreia acontecerá em 6 de junho) em dados momentos parece um esforço da MTV para afrouxar ainda mais os limites já permissivos que regem a operação dos canais de cabo básicos.

Mas para um canal que se tornou sinônimo de reality shows como Jersey Shore ou The Hills, ela representa na verdade um esforço para desenvolver um personagem de ficção que atraia uma audiência jovem e permita uma retomada dos programas de ficção da rede.

Nesse caso, a MTV decidiu construir a campanha em torno de um protagonista que, mais ou menos na metade do primeiro episódio, vê revelado por acidente à escola o fato de que tem um pênis prodigiosamente grande.

"A série na verdade se refere ao despertar da confiança de um garoto", disse Seth Grahame-Smith, que criou o novo seriado, com David Katzenberg. "E eis que essa simples descoberta lhe propicia confiança suficiente para reagir diante das pessoas que o perseguiram durante toda a sua vida".

Se bem tenham origens bem distintas, os criadores da série se aproximaram devido às misérias sofridas no segundo grau. Grahame-Smith, 34, autor de um best seller que combina Jane Austen e zumbis, estudou na Bethel High School, em Bethel, uma cidadezinha de Connecticut, onde costumava ser perseguido e espancado. Katzenberg, 27, produtor assistente na série Survivor e filho de Jeffrey Katzenberg, presidente-executivo da DreamWorks Animation, estudou na Harvard-Westlake School, uma escola de elite em Los Angeles, mas suas paqueras de adolescência raramente davam resultado.

Três anos atrás, enquanto trabalhavam em Clark and Michael, um seriado cômico para a Web, os dois perceberam que compartilhavam de um senso de humor tosco.

Antes da estreia de Hung, série da HBO sobre um homem bem dotado, os dois realizaram um curta-metragem chamado The Tale of RJ, com direção de Katzenberg e produção de Grahame-Smith. O filme era uma homenagem sucinta a Boogie Nights, e falava de um nerd bem dotado (interpretado por Christopher Mintz-Plasse, de Superbad), e de seus anos no segundo grau, na década de 70. O objetivo do filme era mostrar o talento de Katzenberg como diretor, mas os criadores perceberam que a ideia tinha mais potencial como série de TV.

"Percebemos bem cedo que queríamos uma história que mostra um jovem amadurecendo", disse Grahame-Smith. "Quanto mais pudéssemos minimizar as piadas genitais, mais o filme teria a dizer".

The Tale of RJ chegou à MTV, dois anos atrás, no momento em que a rede estava tentando recriar sua linha de programas de ficção, para equilibrar uma programação então concentrada em reality shows. Embora a MTV conte com forte audiência para programas como Jersey Shore, no momento, com certeza percebeu as linhas cada vez maiores de programas de ficção que vêm conquistando distinção para outras redes de TV a cabo, a exemplo da AMC, Starz, TBS e Spike.

"Não é que planejemos abandonar os reality shows", disse Tony DiSanto, vice-presidente de programação da rede. "Mas queremos ampliar nossos reality shows por meio de outros gêneros, oferecendo um elenco maior de escolhas aos nosso espectadores".

No filme de Katzenberg, a MTV percebeu o potencial de uma versão contemporânea de Anos Incríveis, mas narrada em linguagem distinta.

Os criadores de The Hard Times of RJ Berger afirmam que se interessam menos por contrariar tabus do que por representar com humor as dificuldades dos adolescentes.

"Produzimos a série que gostaríamos de ter podido assistir aos 15 anos de idade", disse Grahame-Smith. "Um seriado que não fosse condescendente e tentasse mostrar a forma pela qual a garotada realmente fala e os problemas que enfrentam".

Katzenberg acrescenta que "desejávamos fazer um programa que a molecada mais nova quisesse assistir mesmo que seja preciso invadir a sala de TV ou o quarto dos pais para isso".

'The Hard Times of RJ Berger'
'The Hard Times of RJ Berger'
Foto: Reprodução
The New York Times
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