Saída de Gimenez e novas demissões ampliam temor de a RedeTV! acabar como a TV Manchete
Canal que anteviu o conteúdo descontraído das redes sociais enfrenta baixa audiência e elenco esvaziado
A RedeTV! atravessa um momento extremamente delicado: o passado começa a parecer mais sólido do que o presente.
E surge a pergunta incômoda: qual será seu futuro?
A saída de sua principal apresentadora, Luciana Gimenez, após 25 anos no ar, agrava a crise de imagem da emissora.
Lançado em 1999, o canal fez recentemente dezenas de demissões, encerrou programas e oferece uma programação enfraquecida.
Parte relevante dos horários está vendida a igrejas evangélicas. A maioria dos programas próprios tem audiência abaixo de 0.5 ponto.
Nos bastidores, o temor que circula é de que a RedeTV! tenha o mesmo destino da saudosa TV Manchete, justamente a emissora da qual herdou a concessão.
O contraste com o passado chama a atenção. Houve um tempo em que a RedeTV! era o canal mais vanguardista e ousado.
Construiu sua identidade ao falar de outras TVs, comentar sobre artistas e subcelebridades, numa linguagem mais solta e divertida do que a das redes tradicionais.
Essa vocação, porém, se perdeu com a saída de atrações importantes e intrinsecamente associadas ao espírito da emissora, como o ‘Pânico’ e Clodovil.
Hoje, a RedeTV! sequer consegue se manter de forma consistente na quinta colocação do ranking do Ibope, alternando posições com canais menores e exibindo uma fragilidade que não combina com a relevância que já teve.
Nota-se dificuldade de se reposicionar na fase em que a televisão aberta disputa atenção com redes sociais e plataformas de streaming.
Ironicamente, a RedeTV! antecipou esse espírito descontraído e provocativo que hoje domina o ambiente online — mas não conseguiu traduzir a vantagem histórica em um projeto sustentável de longo prazo.
Ainda assim, é preciso reconhecer: poucas emissoras souberam ser tão populares e conectadas com o humor do público. Justamente por isso, há uma torcida para que viabilize seu futuro.
O canal já provou que sabe inovar. O desafio urgente é mostrar que consegue sobreviver — e se reinventar — antes que a comparação com a Manchete deixe de ser apenas um alerta.