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Repetição de elenco desgasta imagem de atores da Globo

9 abr 2014 - 15h29
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Bruna Linzmeyer como a professora Juliana de 'Meu Pedacinho de Chão' (esq.), e como a Linda de 'Amor à Vida' (dir.)
Bruna Linzmeyer como a professora Juliana de 'Meu Pedacinho de Chão' (esq.), e como a Linda de 'Amor à Vida' (dir.)
Foto: TV Globo / Divulgação

Bruno Gagliasso foi confirmado como protagonista do seriado Dupla Identidade, de Gloria Perez, com estreia prevista para o final do ano. O ator interpretará um serial killer chamado Edu. Foi o fim de uma novela interna na Globo. Enquanto ainda estava no ar em Joia Rara, encerrada na semana passada, o galã já havia sido requisitado por duas produções da casa: Falso Brilhante, o próximo folhetim das 21h, e Búu, novela das 19h que entrará no ar em novembro.

Talentoso e carismático, Gagliasso não tem culpa de ser desejado por tantos autores e diretores. Mas esse caso levanta uma questão: o desgaste na imagem de atores que emendam um trabalho no outro, gerando uma indevida overdose de exposição no vídeo.

Um caso recente envolve Cauã Reymond. Ele protagonizou a minissérie Amores Roubados, exibida em janeiro. Menos de três meses depois, volta ao ar nesta sexta-feira (11), no seriado policial O Caçador.

Mais dois exemplos: Bruna Linzmeyer era vista todas as noites como a autista Linda, em Amor à Vida. Dois meses após o fim da novela, a atriz retornou ao vídeo interpretando a professora Juliana, em Meu Pedacinho de Chão. Na mesma novela vemos Antônio Fagundes na pele do italiano Giácomo, tendo ainda fresca na memória a imagem do Dr. César Khoury, também de Amor à Vida.

Com intervalo mínimo entre um trabalho e outro, o ator pode não ter o tempo necessário para compor o novo personagem. Corre o risco de apresentar uma performance repetitiva. Há outro ponto a ser analisado: a percepção do público. Acompanhar o mesmo ator em produções sequentes gera o déjà-vu, reação emocional de já tê-lo visto em situação semelhante.

Quando o telespectador assiste a uma interpretação marcante, é difícil apagá-la rapidamente da memória para acompanhar outra performance feita pelo mesmo ator. Isso aconteceu com Marcelo Serrado. Em Fina Estampa, ele roubou a cena na pele do impagável Crodoaldo Valério, o Crô. Três meses após o final da novela, lá estava o ator como o igualmente cômico Tonico Bastos, em Gabriela. A comparação entre os personagens foi inevitável.

A Globo tem quase mil atores com contrato fixo e exclusivo. Teoricamente não teria problema de escalação para suas produções. Porém, na prática, há uma preferência inegável por um grupo reduzido de artistas. Estes preferidos oferecem carisma suficiente para garantir o interesse do público e gerar importante repercussão na imprensa. São quase uma garantia de sucesso. 

E por que eles aceitam um trabalho atrás do outro? Existe o fator contratual. Teme-se que uma recusa possa gerar algum efeito colateral. Letícia Spiller já ficou na "geladeira" da Globo, sem receber salário por alguns meses, após se negar a fazer uma novela sem apresentar uma justificativa aceitável na visão da cúpula do canal. 

Outra questão é o resultado financeiro da visibilidade. Quanto mais aparece, especialmente em horário nobre, o ator tem maior chance de conquistar bons contratos de publicidade, duplicando o salário da TV. Ou seja, a superexposição é um círculo vicioso.

Fonte: Especial para Terra
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