Quem é a repórter que deu lição de empatia ao acolher menina órfã ao vivo em telejornal
Bianka Carvalho prova a importância da escuta para o jornalista que trabalha em contato direito com o povo
Uma menina de oito anos mergulhada em tristeza pela recente morte da mãe.
Uma repórter experiente e sensível disposta a ouvi-la.
E tivemos um momento de rara sensibilidade e beleza no jornalismo. Viralizou nas redes sociais.
O ‘ao vivo’ na Globo de Pernambuco era para mostrar as celebrações a Nossa Senhora do Carmo em uma igreja.
Aleatoriamente, Bianka Carvalho escolheu entrevistar Antonela.
Olhando para a jornalista como se enxergasse uma confessora, a garota verbalizou a dor pela perda da “mãezinha”. A morte ocorreu em maio.
Falou da dor da ausência, da saudade, das conversas por meio de orações e do bullying sofrido na escola, onde uma colega cruel disse “eu tenho mãe, você não tem”.
Antonela contou tê-la corrigido. Afirmou que também tinha mãe, mas ela estava no céu.
Curvada e entregue à escuta, a repórter entendeu que sua pequena entrevistada precisava desabafar.
Não importava mais o tempo da televisão. Era necessário escutá-la, sem pressa.
Para a criança, foi quase uma sessão de terapia. Um desabafo em busca de alívio emocional.
Bianka manifestou solidariedade e fez o acolhimento que foi possível naquela circunstância.
No fim, deu um abraço na menina. Um gesto cheio de maternidade.
Fora do ar, desabou. “Estava destruída. Chorei tanto”, disse no ‘GloboNews Mais’.
Revelou o que pensou e sentiu.
“Vontade de pegar no colo e dizer ‘senta aqui, Antonela. Mundo, pelo amor de Deus, pega leve com essa menina que ela já sofreu demais’.”
Bianka era a pessoa certa no lugar certo.
A repórter tem pós-graduação em Direitos Humanos. Ela se importa com o outro. Dá voz às pessoas. É “louca por gente”, como se define numa rede social.
Vai completar 26 anos na Globo, baseada no Recife.
Suas matérias e entradas ao vivo sempre têm bom humor ou emoção. Virou marca registrada.
Faz um jornalismo visceral, humanitário, com espírito de coletividade.
Vivemos tempos tão estranhos, com o ser humano cada vez mais individualista e menos empático.
Mas, de repente, surgem Antonelas e Biankas para nos lembrar de que somos feitos de sentimentos, somos frágeis, precisamos uns dos outros.
Esse é o jornalismo que faz a diferença na vida de milhões de pessoas.
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