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Por que a TV não deveria abrir mão de Galvão e Neymar na Copa de 2030 

Jogador mais midiático e locutor esportivo mais famoso sinalizam aposentadoria, mas poderão continuar como figuras importantes do evento

19 jul 2026 - 09h13
(atualizado às 09h13)
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“Tentei, tentei, agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui”, avisou Neymar em rápida conversa com Bruno Formiga diante da câmera da GE TV após a eliminação da Seleção pela Noruega.

“Não é para se pensar em narrar outra Copa do Mundo com 80 anos de idade. Não sei se estarei aqui, se estarei bem”, disse Galvão Bueno na transmissão no SBT, naquele mesmo dia fatídico para a torcida verde e amarela.

O que será da cobertura do Mundial de 2030 sem o jogador e o locutor mais amados e odiados do país?

Neymar foi o principal assunto no jornalismo esportivo nos primeiros seis meses deste ano. Não saiu da boca dos comentaristas. Elogiado e criticado, incentivado e praguejado.

Não há outro atleta com o mesmo potencial de gerar pautas na TV e engajamento nas redes sociais. Para a mídia, ser polemista também é uma qualidade.

E se o Camisa 10 realmente desistir da Seleção?

Os canais que comprarem os direitos de transmissão da próxima Copa certamente irão avaliar a contratação prévia de Neymar como comentarista ou para fazer participações especiais ao longo da cobertura. 

Ele representa uma garantia de repercussão multiplataforma e patrocinadores decididos em associar suas marcas à figura mais influente e controversa do futebol brasileiro das duas últimas décadas.

Em uma Copa com ambiente de mídia cada vez mais fragmentado, com a audiência dividida entre TV aberta e paga, streaming, YouTube e redes sociais, Neymar se tornou um ativo comercial (para não dizer um valioso produto) com inigualável poder de mobilização e potencial lucro.

Há muitos interessados em mantê-lo em evidência.

E como seria um Mundial da FIFA sem Galvão?

A ausência dele na Globo foi sentida. Era a ‘alma’ da equipe de transmissão do evento. No SBT, manteve o mesmo estilo, mas não parecia estar no lugar certo. Não teve o mesmo brilho.

Galvão foi a principal voz de uma cobertura esportiva construída pela Globo como espetáculo. Ele se tornou parte da experiência de assistir à Copa. Portanto, houve uma ruptura de tradição. Leva tempo para assimilar.

Nos últimos 40 anos, nenhum outro narrador conseguiu reunir tanto prestígio, tanta rejeição e tanta capacidade de mexer com o público. 

Esteve na trilha sonora de conquistas, derrotas, broncas, elogios exagerados, enfim, de memórias afetivas cultivadas por diferentes gerações de telespectadores.

Caso realmente se retire dos microfones nos estádios, Galvão vai causar um estranhamento inédito, aquele saudosismo dos grandes momentos.

Talvez também seja possível que alguma emissora o escale para fazer comentários no estúdio. Assegurando sua presença já folclórica.

Mesmo que encerrem suas carreiras na atividade principal e não estejam diretamente ligados com a transmissão da Copa de 2030, Neymar e Galvão não serão ignorados.

É provável receberem propostas de ações publicitárias. De um jeito ou de outro, deverão continuar na órbita do negócio bilionário do futebol.

Afinal, poucos personagens conseguem atrair tanto interesse mesmo sem a bola rolar em campo.

Ironicamente, os dois não se falam. Não são inimigos, mas houve colisão de egos. O mundo do futebol é uma grande reunião de talentos, mas também de vaidades.

Galvão Bueno e Neymar se tornaram patrimônios da cobertura esportiva: um como voz dos grandes jogos e o outro, protagonista de momentos felizes e decepcionantes
Galvão Bueno e Neymar se tornaram patrimônios da cobertura esportiva: um como voz dos grandes jogos e o outro, protagonista de momentos felizes e decepcionantes
Foto: Ilustração criada por IA a partir de fotos de divulgação
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