"'O Astro' fez um ano extremamente especial", diz Regina Duarte
- Márcio Maio
Há algum tempo Regina Duarte demonstrava vontade de experimentar . Eterna namoradinha do Brasil desde o início década de 70, a atriz queria fugir de papéis de boas mães que dão a vida pelos filhos. Mas, curiosamente, foi justo na pele da desmedida Clô Hayalla, de O Astro - que defendia o filho Márcio, de Thiago Fragoso, a ferro e fogo - que ela parece ter conseguido dar o "upgrade" sonhado na carreira. A atuação de Regina impressionou e, não à toa, ganhou com larga folga a votação do Melhores & Piores 2011 de TV Press. "Amo o que faço e não faço para ganhar prêmios. Nunca pensei nessas coisas. Mas quando vem algo assim, é claro que importa. É uma prova de que valeu a pena, de que é por aí mesmo. Me faz querer mais e melhor sempre", comemora a atriz.
Para Regina, é inegável a aquecida que Clô Hayalla deu em sua carreira. Mesmo diante de uma lista de mais de 30 personagens de destaque na televisão e 50 anos de carreira - ela começou a atuar nos palcos, em 1961. "A Clô foi um vulcão de emoções que só me fez bem, só trouxe coisas boas. Me senti premiada com ela, O Astro fez de 2011 um ano extremamente especial na minha vida", derrete-se a atriz, que fica de olho no que o público de casa pensa e espera de seu trabalho. "Antigamente, não havia esse 'feedback'. Agora, com a internet, a gente sabe na hora o que acham de tudo. A cena está indo ao ar e conseguimos entender o que está rolando na cabeça e na emoção das pessoas", explica ela, que esteve em diversos momentos como um dos assuntos mais comentados das redes sociais por causa de seu trabalho como Clô.
Uma das grandes surpresas que recebeu em O Astro veio justamente no dia do último capítulo, quando Regina descobriu que sua personagem era a grande assassina desta adaptação. A gravação estava agendada para 20h e, às 19h30, reuniram a equipe para informar que apenas um final seria rodado. "Lembro de ter perguntado qual era e ouvir 'ora bolas, Regina, o seu'. Mas eu não sabia de nada, tive de decorar rapidamente o texto para dar tudo certo", recorda.
Na verdade, a informação deveria ter sido passada para ela com mais antecedência. Porém, como ninguém definiu quem avisaria Regina, ficou um achando que o outro já teria contado. Um engano que hoje a atriz acredita ter dado ainda mais charme à sequência. "Isso deu à minha interpretação uma tensão que, talvez se eu já soubesse antes, não tivesse aparecido", avalia ela, que refere-se à personagem quase que como se falasse de uma amiga de longa data. "Foi como se a Clô soubesse, naquele momento, que tinha de assumir aquele crime assim, em cima da hora", supõe.
Fora do ar
A intenção de Walcyr Carrasco era trazer Regina Duarte ao ar já no primeiro semestre de 2012, na adaptação que o autor está fazendo de Gabriela, clássico de Jorge Amado. A ideia era que ela interpretasse a cafetina Maria Machadão, papel de Eloísa Mafalda na primeira versão, de 1975, adaptada por Walter George Durst. Mas a atriz não pôde aceitar, já que pretende ficar afastada da televisão durante a maior parte do ano que vem. "Foi com muita pena que eu pedi para não ser incluída nesse projeto. Tenho certeza de que vai ser um grande sucesso, como O Astro já foi", lamenta.
A explicação de Regina para a recusa é o teatro. A atriz já trabalha há algum tempo em cima de um espetáculo que deve estrear em breve. Na verdade, trata-se de uma peça que já foi adiada para que ela pudesse interpretar Clô Hayalla. "Na época, expliquei para o produtor que era um convite irrecusável da Globo e que eu queria muito fazer e ele topou parar por um tempo", argumenta a atriz, que até tentou encaixar Gabriela em sua agenda do ano que vem. "Conversei de novo, mas ele me disse que adiar mais uma vez seria complicado. Expliquei na Globo e todo mundo foi bem compreensivo comigo", resume.
Instantâneas
# Regina Duarte escreveu o texto de abertura de O Livro do Boni, publicação lançada mês passado por José Bonifácio Oliveira Sobrinho, que comandou a Globo por 30 anos
# Futuramente, Regina gostaria de poder atuar em obras de João Emanuel Carneiro e da dupla Duca Rachid e Thelma Guedes, autores de quem é fã
# A atriz já interpretou três Helenas de novelas de Manoel Carlos: em História de Amor, Por Amor e Páginas da Vida, em 1995, 1997 e 2006, respectivamente
# Regina também faturou o Prêmio Mario Lago de 2011, dado pela equipe do Domingão do Faustão. A atriz recebeu o troféu das mãos de Hebe na edição gravada do programa que vai ao ar neste domingo, dia de Natal, 25 de dezembro
Trajetória Televisiva
# A Deusa Vencida (TV Excelsior, 1965) - Malu
# A Grande Viagem (TV Excelsior, 1965) - Isabel
# Anjo Marcado (TV Excelsior, 1966) - Lilian
# As Minas de Prata (TV Excelsior, 1966) - Inesita
# Os Fantoches (TV Excelsior, 1967) - Bete
# O Terceiro Pecado (TV Excelsior, 1968) - Carolina
# Legião dos Esquecidos (TV Excelsior, 1968) - Regina
# Os Estranhos (TV Excelsior, 1969) - Melissa
# Dez Vidas (TV Excelsior, 1969) - Pom Pom
# Véu de Noiva (Globo, 1969) - Andréa
# Irmãos Coragem (Globo, 1970) - Ritinha
# Minha Doce Namorada (Globo, 1971) - Patrícia
# Selva de Pedra (Globo, 1972) - Simone
# Carinhoso (Globo, 1973) - Cecília
# Fogo Sobre Terra (Globo, 1974) - Bárbara
# Nina (Globo, 1977) - Nina
# Malu Mulher (Globo, 1979) - Malu
# Sétimo Sentido (Globo, 1982) - Luana/Priscila
# Guerra dos Sexos (Globo, 1983) - Alma
# Joana (Manchete e SBT, 1984) - Joana
# Roque Santeiro (Globo, 1985) - Viúva Porcina
# Vale Tudo (Globo, 1988) - Raquel
# Top Model (Globo, 1989) - Flora
# Rainha da Sucata (Globo 1990) - Maria do Carmo
# Incidente em Antares (Globo, 1994) - Shirley
# História de Amor (Globo, 1995) - Helena
# Por Amor (Globo, 1997) - Helena
# Chiquinha Gonzaga (Globo, 1999) - Chiquinha
# Desejos de Mulher (Globo, 2002) - Andréa
# Kubanacan (Globo, 2003) - Maria Félix
# Páginas da Vida (Globo, 2006) - Helena
# Três Irmãs (Globo, 2008) - Waldete
# Araguaia (Globo, 2010) - Antoninha
# As Cariocas (Globo, 2010) - Maria Elisa
# O Astro (Globo, 2011) - Clô Hayalla