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Robôs não agradam e 'Morde & Assopra' patina na audiência

20 abr 2011 - 07h22
(atualizado às 07h23)
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Paulo Ricardo Moreira
Direto de Rio de Janeiro

Androides, robozinhos e computadores. Apostar em tramas tecnológicas tem sido uma casca de banana para as novelas das sete da Globo. Depois do fiasco de Tempos Modernos (2010), em que o personagem de Antonio Fagundes falava com Frank, um computador que comandava um edifício "inteligente", Morde & Assopra não consegue empolgar o público com a história da robô Naomi (Flávia Alessandra). A audiência da trama de Walcyr Carrasco está patinando entre 24 e 27 pontos de média.

Nos próximos capítulos, um curto-circuito provocado por um raio vai tirar a androide de circulação. Mas, no mesmo dia, a Naomi de carne e osso vai reaparecer diante de um incrédulo Ícaro (Mateus Solano), que achava que a mulher estava morta. A androide vai ficar quebrada por um tempo, mas Walcyr Carrasco jura que ela e o robô Zariguim não vão sumir do mapa, como aconteceu com o Frank da novela de Bosco Brasil. "Os robôs não sairão da trama. O reaparecimento da verdadeira Naomi estava previsto", garante.

Apesar de a audiência não estar dentro da faixa dos 30 pontos estipulada pela emissora, o autor nega que o público tenha rejeitado os robôs e que, por isso, os números estejam baixos. Segundo Carrasco, não há mudanças a serem feitas na trama. A entrada em cena de Áureo (ator a ser escalado), o noivo desaparecido de Celeste (Vanessa Giácomo), também já estava definida. Mas, afirma o autor, não será ele o personagem que formará o triângulo amoroso com o casal Abner (Marcos Pasquim) e Júlia (Adriana Esteves). "Não adianto tramas", diz.

Mais melodrama, menos tecnologia

A ênfase na história dos robôs não tem agradado aos telespectadores que preferem folhetins mais próximos do cotidiano, com humor e melodrama. A auxiliar de departamento pessoal Isabel Cristina, 31 anos, diz que as máquinas da novela não têm nada a ver: "é completamente fora da realidade. Gosto de novelas com histórias mais reais".

O vendedor Vanderson da Cruz, 22, endossa: "acho que o povão prefere tramas com um toque de realidade. Aquele robô (Naomi) parece caô". Já o organizador de loja Maurício Souza, 25, vai mais longe e decreta : "a novela é chata. O Walcyr só faz coisa para crianças. Acho a história com robôs e dinossauros muito infantil".

Mas há quem discorde. A vendedora Denise Ferreira, 42, conta que seus filhos adoram a novela por causa da Naomi. "A única hora do dia em que eles saem da frente do computador é a da novela. Eles vão ficar tristes se os robôs não voltarem", diz.

Audiência

O primeiro capítulo de Morde & Assopra registrou 32 pontos de média, superando a audiência de estreia da sua antecessora, Ti-ti-ti, que deu 29. Há um mês no ar, no entanto, a novela de Walcyr Carrasco não confirmou as expectativas de se manter no patamar dos 30, oscilando entre 24 e 28 pontos nas últimas semanas.

As mudanças na trama e o sumiço dos robôs, negados pelo autor, teriam o objetivo de alavancar os números. No ano passado, a Globo foi obrigada a promover inúmeras alterações em Tempos Modernos, que mesmo assim naufragou no Ibope, com média geral de 25 pontos - a segunda pior audiência das 19h, ficando à frente apenas de Três Irmãs, com 24, e atrás de Bang Bang, com 27.

Frank, o computador da trama de Bosco Brasil, era inspirado em Hal 9000, do filme 2001 - Uma Odisséia no Espaço. Como a máquina se revelou um trambolho sem graça, foi contaminada por um vírus e apagou, dando um fim aos diálogos constrangedores com seu criador, Leal (Antonio Fagundes). Já Ti-ti-ti, que veio em seguida, recuperou o horário, com média geral de 30 pontos.

Esbanjando beleza, Flávia Alessandra também marcou presença no Jardim Leopoldina, em São Paulo
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Foto: Francisco Cepeda / AgNews
Fonte: O Dia
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