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'Meu Pedacinho de Chão' é televisão com cara de cinema

8 abr 2014 - 11h35
(atualizado às 11h55)
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Juliana (Bruna Linzmeyer)  É a primeira professora de Vila Santa Fé. Apaixonada pelo que faz, atrai muitos olhares masculinos no vilarejo. Mora por alguns dias na casa de Pedro Falcão até se instalar melhor
Juliana (Bruna Linzmeyer) É a primeira professora de Vila Santa Fé. Apaixonada pelo que faz, atrai muitos olhares masculinos no vilarejo. Mora por alguns dias na casa de Pedro Falcão até se instalar melhor
Foto: TV Globo / Divulgação

Novidades encantam e assustam. Exibido nesta segunda (7), o capítulo de estreia de Meu Pedacinho de Chão, nova trama das 18h da Globo, foi um deslumbramento visual. O diretor Luiz Fernando Carvalho conceituou a novela como uma fábula. Parecia um sonho — às vezes, um surto. Um fino artesanato em formato de teledramaturgia.

A diminuta Vila de Santa Fé, onde se passa a história escrita por Benedito Ruy Barbosa, lembra uma casa de bonecas. No vídeo viu-se uma explosão de cores — dos tons pastéis aos mais berrantes — nos cenários e no figurino dos personagens. A linguagem inclui animação e efeitos especiais. A edição vai do estado de contemplação ao 'fast motion' (imagem acelerada). É televisão com cara de cinema autoral.

A novela é narrada pelo menino Serelepe (Tomás Sampaio), que se aventura pela vila com a graciosa Pituquinha (Geytsa Garcia). Os dois têm aquele carisma infantil capaz de seduzir imediatamente o telespectador. A garota é filha do vilão Epaminondas Napoleão, interpretado por Osmar Prado com a competência de sempre.

O personagem representa o coronelismo e a resistência ao progresso. Ele se opõe à abertura de uma escola no vilarejo. Afinal, cabeças pensantes são uma ameaça ao seu poder hegemônico. Uma explícita alusão à postura de muitos políticos e poderosos de um certo país sul-americano.

A tal escola é um projeto de Pedro Falcão, fundador da Vila de Santa Fé. O bom homem é vivido por Rodrigo Lombardi. Com voz de desenho animado, o ator teve uma das performances mais interessantes do primeiro capítulo. Para ensinar as crianças, ele contrata a professora Juliana (Bruna Linzmeyer).

Com cabelos cor-de-rosa e porte de princesa de conto de fadas, a personagem parece uma cosplayer, adolescente que se transforma em personagem fictício. Com sua doçura, ela enfrentará as artimanhas do Coronel Epaminondas e vai fisgar o coração do filho dele, Ferdinando (Johnny Massaro), também recém-chegado. Com visual riponga, o ator convence como galãzinho engajado.

No fim do capítulo, o jovem foi escorraçado pelo pai ao revelar que, ao invés de estudar Direito, se formou engenheiro agrônimo. Uma afronta ao coronel, que planejava transformar o herdeiro num alpinista político para perpetuar o poder familiar na região. Meu Pedacinho de Chão, cuja primeira versão foi ao ar em 1971, apresenta metáforas de um Brasil antigo, mas que continuam atualíssimas e igualmente preocupantes.

Outro destaque da estreia foi o capataz Zelão, papel de Irandhir Santos. A caracterização o faz parecido com um bonequinho Playmobil. Lembra ainda aqueles pistoleiros monossilábicos do 'spaghetti western', o faroeste italiano. Sua brutalidade será abalada pelos hipnóticos olhos azuis da professorinha Juliana.

Antônio Fagundes rouba a cena na pele do italiano Giácomo, o dono da venda. Suas expressões faciais são uma atração à parte. Juliana Paes parece uma Maria Antonieta surtada como Catarina, mulher de Epaminondas. Deu para notar que ela esconde um sentimento especial pelo enteado, Ferdinando. A ponto de se embebedar para não encarar sobriamente o primeiro confronto entre pai e filho.

Entre os coadjuvantes o destaque ficou por conta de Paula Barboza, que interpreta Gina, a mulher-homem da vila. Os veteranos Ricardo Blat (Prefeito das Antas) e Emiliano Queiroz (Padre Santo) também tiveram bons momentos.

Quem aguardava a aparição de Bruno Fagundes se frustrou. O filho de Antonio Fagundes entrará em cena apenas na sexta-feira. O personagem, Dr. Renato, disputará o coração da professora Juliana com o amigo Ferdinando e o inescrupuloso Zelão.

Muito se comenta do desgaste da telenovela. Meu Pedacinho de Chão é uma iniciativa de inserir alguma novidade ao gênero. Porém toda ousadia tem um preço. Uma linguagem tão lúdica — com uma estética incomum nesta faixa horária — poderá provocar estranhamento no público, que costuma ser conservador.

A audiência da estreia — 17 pontos — está entre as piores já registradas no horário. Ainda bem que existem emissoras como a Globo, dispostas até a sacrificar a meta de Ibope em nome da qualidade artística, com uma produção original capaz de tirar o telespectador de sua zona de conforto. 

Meu Pedacinho de Chão não é revolucionária nem vai mudar o rumo da teledramaturgia brasileira, mas tem potencial para deixar uma marca interessante num momento de pouca inspiração na TV brasileira.

Fonte: Terra
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