Humberto Morais confessa que levou 28 anos para se sentir bonito: 'Ensinaram a gente a se odiar'
Em entrevista à Contigo! Novelas, Humberto Morais falou sobre sua preparação para dar vida ao protagonista de Dona de Mim, novela das sete da Globo
Protagonista da novela Dona de Mim, Humberto Morais reflete sobre baixa autoestima e conta como é se ver no posto de astro da TV Globo. O ator ainda lamenta o sexismo enraizado, que faz com que o público fique com raiva da Kami (Giovanna Lancellotti), mas do Marlon não, em entrevista à Contigo! Novelas.
Esse protagonista chegou no momento certo?
"Pra ser sincero, é assustador. Do nada, sou protagonista de um produto gigantesco da TV Globo, escrito pela Rosane Svartman, dirigido pelo Allan Fiterman. Fui muito bem acolhido, tanto na preparação quanto nas conversas que a gente teve e fui relaxando. E prestando atenção na minha história, na carreira, trajetória, acho que faz bastante sentido. Eu saí de alguns trabalhos de que gosto muito, o último, foi Sutura, uma série da Prime Video que interpretei já um protagonista, ao lado da Claudia Abreu. É muito legal estar com ela de novo. Isso é uma das coisas que corroboram para eu achar interessante essa trajetória. Eu fiz DNA do Crime, que é uma das maiores séries brasileiras da Netflix e lá faço um policial. Pensando em trajetória, peguei DNA do Crime, em que fiz um policial e juntei com o protagonista de Sutura, parece que eu estava treinando para este momento chegar".
Agora você está famoso. A cena do Marlon no banho repercutiu pra caramba nas redes sociais.
"Eu ganhei 20 mil seguidores em minutos com essa cena. Deu uma bela repercutida, muita gente pedindo o link, tanto para mim quanto para a TV Globo. Gente me aconselhando a abrir um perfil conteúdo adulto [risos]. Isso me obrigou a continuar malhando bem, porque 20 mil seguidores em um dia é bom [risos]".
Você agora é galã de novela, símbolo de beleza e contou recentemente que demorou 25 anos para se achar lindo. Os homens negros se identificaram com essa fala? Isso chegou até você?
"É uma referência à música do Baco Exu do Blues, mas levei uns 28 anos, por aí. Eu gosto muito da juventude negra de hoje em dia, que está tendo a possibilidade de amar o seu próprio cabelo, que eu acho muito importante isso. Porque é aquele discurso do Malcolm X, ensinaram a gente a se odiar. Acho que a juventude negra de hoje em dia tem essa possibilidade de poder só ser e se amar já na infância. Eu não tive essa possibilidade. Então, acho que essa frase bate muito com os homens negros da minha idade, os jovens negros de 30 anos viveram muito isso, de passar a infância inteira se sentindo feios, deslocados, menores. E aí agora a gente está com a possibilidade de descobrir que não, a gente é gigante, a gente tem possibilidades diversas e muito potentes. A maioria das pessoas que falaram comigo sobre isso foram mulheres negras. E eu acho que a comunidade precisa trocar essa ideia. As mulheres negras ajudarem os homens negros a ter essa autoestima e vice-versa. A comunidade precisa estar mais afetuosa".
O público ficou com ranço da Kamila (Giovanna Lancellotti) por ela namorar o ex da amiga, Leo (Clara Moneke), mas não ficou do Marlon também por ele estar com a ex do amigo Ryan (L7nnon)?
"O Marlon menos. É que eu acho que tem um grande problema: as mulheres apanham mais que os homens, né? Acho que a população é muito sexista. Acho que o público pode entender que ele é policial, o Ryan estava preso e eles tiveram uma quebra de vínculo. A Kami não, ela continuou amiga da Leo. Mas é muito desproporcional para ser só isso. Acho que tem uma parada estrutural aí".
E afinal, Marlon gosta da Leo ou da Kami?
"A gente ama as pessoas de jeitos diferentes, o jeito que amo meu irmão não é o mesmo que amo minha mãe. Falando desses amores específicos, com a Leo ele estava querendo construir uma família, então tinha uma euforia de jovem, de descobrir a vida juntos. A Kami já é um lugar mais maduro. Ele já vê essa família, ele, ela e o Dedé [Lorenzo Reis]. Ele já se vê como um pai para essa criança e um possível homem que pode ajudar essa mulher. Então, eu acho que a maturidade é a chave dessas duas relações. Com a Leo ele estava menos maduro e agora com a Kami ele vai tentar não cometer os mesmos erros que cometeu na primeira vez".
E pra quem vai sua torcida?
"Eu, Humberto, acho que o Marlon nunca esqueceu o grande amor da vida dele, mas ele quer seguir em frente, quer poder amar e ser amado. Lá no fundo, ele ainda não entendeu direito, mas ele quer a Leo. Eu e Clara já conversamos sobre isso e a gente estava torcendo para a Leo ficar com o Samuel [Juan Paiva] mesmo. Porque o nosso queridinho Samuel precisa dar uma caidinha no gueto, precisa ser cria um pouco, ele está muito engomadinho, precisa tirar aquela camisa de dentro da calça e acho que a Leo pode ajudar ele nisso [risos]. Ao mesmo tempo, penso que o Dedé merece ter o pai e a mãe juntos. Embora, essas novas configurações de família não necessariamente precisam ser assim, acho que amigos podem ser bons pais".
Mas ainda entra uma terceira na parada, a Bárbara (Giovana Cordeiro) está voltando...
"Eu gosto muito da relação do Marlon com a Bárbara, porque ela incentiva ele na história do esporte. O esporte é muito importante para o Marlon, essa questão da luta é o lugar em que ele aprendeu a ser íntegro fora da família, fora da igreja. A Bárbara traz isso. Vamos ver o que vai ser!".
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