Nas tramas policiais, culpar o mordomo pelos crimes é um dos mais famosos clichês. Em Passione, a responsável pelas mortes de Eugênio (Mauro Mendonça) e Saulo (Werner Schünemann) pode ser uma versão de saias do serviçal: Olga, a esperta e misteriosa empregada da família Gouveia, vivida por Débora Duboc. Ela seria aliada do intratável filho de Bete (Fernanda Montenegro), que, em sua sede de poder, teria planejado o assassinato do próprio pai - executado pela empregada - e depois pressionado a cúmplice para dar um fim em sua mãe. Mas Olga teria se negado a matar a patroa e eliminado o executivo.
Essa história é apenas uma das muitas teorias mirabolantes que a atriz paulista ouve nas ruas. Mas Débora, de 45 anos, prefere não cravar um palpite sobre a personagem. "Ainda não dá pra dizer se Olga é bom ou mau caráter. Tento não fechar nenhuma porta, porque ela pode ser qualquer coisa. Se ela teve participação na morte do Eugênio, também pode ter se modificado depois, por causa da gratidão a Bete, que a tirou da cadeia quando foi injustamente acusada de roubo por Clara (Mariana Ximenes)", diz Débora.
Até agora, o que se sabe é que Olga foi garota de programa e conheceu Diogo (Daniel Boaventura) quando esteve presa. A empregada se juntou ao amante, Talarico (Luiz Serra), e ao cantor, cujo passado ainda é um mistério, para destruir Clara. No entanto, após descobrir que a doméstica fora prostituta, a vilã conseguiu neutralizá-la, ameaçando contar a verdade a Bete. "Silvio de Abreu (autor da novela) deu muitas cores à personagem. Ela tem um lado refinado, discreto, sabe se portar muito bem na mansão. Mas apareceu um lado desconhecido, quando ela usou palavras chulas para xingar Clara. Para mim, foi um espanto", comenta.
Débora afirma que a empregada é a grande antagonista de Clara.A atriz não descarta a possibilidade de Olga ter sido comparsa da vilã e de Fred (Reynaldo Gianecchini) no começo da história. Por isso, acredita que sua personagem também pode estar marcada para morrer. "Por algum motivo, ela pode ter se voltado contra a dupla", avalia. "Tudo pode acontecer, porque ainda há muita história por trás daquele uniforme".
Passione é a primeira novela de Débora, conceituada artista de teatro que recebeu prêmios por sua atuação em Senhorita Else, de Arthur Schniztler, e no cinema, como melhor atriz do filme Latitude Zero (2001). Ano que vem, ela planeja trazer ao Rio a montagem de Pirandello. "Quando o Silvio de Abreu me ligou para convidar para o papel, não hesitei em aceitar. Sou muito fã dele. É uma grande oportunidade. Ganhei um bilhete de loteria", comemora a atriz, satisfeita com a repercussão do trabalho. "Tanto faz se Olga é boa ou má. A novela tem me dado muito prazer".
Arthurzinho (Julio Andrade) também é um dos principais suspeitos pela morte do patrão. Homossexual assumido, o mordomo sempre foi humilhado por Saulo (Werner Schünemann), que o chamava de gazela. No dia da morte do executivo, Arthurzinho chegou em casa confuso. Depois, em acordo com Stela, os dois disseram para todos que haviam ido juntos ao supermercado no dia do crime, história que depois Gerson (Marcello Antony) descobriu que era mentira
Foto: Julio Andrade/TV Globo / Divulgação
Fred (Reynaldo Gianecchini) tinha ódio de Saulo (Werner Schünemann). O vilão estava sendo chantageado pelo executivo, que dizia que iria contar à polícia que seu pai foi assassinado por Fred. Além disso, o bonitão descobriu que Saulo tinha uma fortuna em paraísos fiscais. Depois que ele morreu, Fred roubou todo o seu dinheiro
Foto: João Miguel Jr./TV Globo / Divulgação
Stela (Maitê Proença) também é uma das principais suspeitas de matar o marido. No dia do assassinato, a viúva chegou em casa muito assustada. Ela teria motivos de sobra para acabar com a vida de Saulo (Werner Schünemann), já que o marido sempre a humilhou e nunca reconheceu seu valor de mulher e mãe. Além disso, Saulo descobriu que ela era amante do sobrinho dele, Agnello (Daniel de Oliveira). A socialite pode ter matado o marido para ficar com o amante
Foto: João Miguel Jr./TV Globo / Divulgação
Sobrinho de Saulo (Werner Schünemann), Agnello é apaixonado por Stela (Maitê Proença) e capaz de tudo para ficar com a mulher do tio. Saulo espancou Agnello quando descobriu que ele era amante da mulher. Por isso, o italiano pode ter matado o tio para se vingar das agressões e ter o caminho livre para ficar com Stela
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Laura (Adriana Prado), assessora de imprensa da Metalúrgica Gouveia, era amante de Saulo (Werner Schünemann). Dias antes de morrer, o executivo terminou o relacionamento, o que pode ter provocado a ira da moça e, não conformada, teria o matado. No dia do crime, Laura foi vista saindo da empresa com Saulo, fato que a faz ser uma das principais suspeitas
Foto: Renato Rocha Miranda/TV Globo / Divulgação
Vilã no início 'Passione', parece que Clara (Mariana Ximenes) se redimiu. Como já aprontou muito e foi cúmplice de Fred (Reynaldo Gianeccini), ela pode estar enganando a todos se fingindo de boazinha, mas ainda mantendo uma relação com o vilão. Os dois podem ter tramado a morte de Saulo para ficar com o dinheiro que ele havia desviado da empresa
Foto: João Miguel Jr./TV Globo / Divulgação
O primogênito de Saulo (Werner Schünemann), Danilo (Cauã Reymond) tinha ódio do pai por ele nunca ter dado carinho e atenção aos filhos. Viciado em drogas, o ciclista chegou a ser espancado por Saulo por dizer umas verdades para ele. Além disso, Danilo desapareceu por conta do vício e ao ser encontrado por Gerson (Marcello Antony), confessou que havia visto Saulo e, alucinado, disse que o sangue do pai estava grudado nele. O que levanta suspeitas de que o rapaz pode ser o assassino
Foto: Rafael França/TV Globo / Divulgação
A suspeita de que Gerson (Marcello Antony) matou o irmão surgiu no dia em que o corpo de Saulo (Werner Schünemann) foi descoberto no motel. O piloto chegou em casa atordoado. Gerson também mentiu para Bete (Fernanda Montenegro) dizendo que tinha ido ao psiquiatra, fato depois descoberto pela mãe que era mentira, pois a secretaria do médico havia desmarcado a consulta. Gerson teve seu segredo descoberto por Saulo, que passou a chantageá-lo para que o piloto se aliasse a ele contra a mãe
Foto: João Miguel Jr./TV Globo / Divulgação
Mauro é o mocinho da trama, mas também tinha motivos para matar Saulo (Werner Schünemann), que morria de ciúmes dele por ser o queridinho de Bete (Fernanda Montenegro), mesmo sendo filho do chofer. Por isso, Saulo sempre tentou prejudicar Mauro, além humilhá-lo constantemente