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Antonio Calloni defende a complexidade e ousadia de 'Além do Horizonte'

14 jan 2014 - 11h38
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<p>Antonio Calloni está no ar na novela<em> Além do Horizonte</em>, na pele de LC</p>
Antonio Calloni está no ar na novela Além do Horizonte, na pele de LC
Foto: Jorge Rodrigues Jorge / Carta Z Notícias

Muito mais que visibilidade ou apelo popular, Antonio Calloni sempre negociou suas participações na tevê de acordo com as possibilidades dramáticas de seus personagens. E foi exatamente as nuances e o caráter complexo do misterioso LC que o fizeram ingressar em Além do Horizonte. "A novela por si só já tem todo um enigma e esquema diferente de outras tramas. E meu personagem está no centro nervoso de todos os segredos que regem a história. O público estranhou, mas ousadias são bem-vindas", analisa.

Paulistano radicado no Rio de Janeiro há mais de duas décadas, Calloni chega aos 52 anos de idade com a calma de quem já viveu de tudo um pouco na tevê, desde sua estreia, em Anos Dourados, de 1986. Com uma carreira marcada por personagens de destaques em novelas como Era Uma Vez..., Terra Nostra, O Clone, Caminho das Índias e, mais recentemente, O Astro, o ator abusa do humor ao refletir sobre nunca ter feito um protagonista em novelas. "Sinceramente, me orgulho de nunca ter dependido de fazer um papel principal para ganhar prestígio e dinheiro. Me considero um privilegiado por pegar personagens paralelos e conseguir me destacar com eles", jura.

Pelos mistérios e flerte com a ficção científica, a trama de Além do Horizonte se distancia do estilo mais clássico dos folhetins. Esse conceito agrada você?

Bastante. Sempre fui louco por ficção científica. A novela é muito comparada a séries como Lost, mas busquei inspiração mesmo foi na saga de Star Wars, clássico do qual sempre fui muito fã. A história é fantástica e se desdobra sempre de forma muito surpreendente. Como um fanático pelo Darth Vader, enxergo um paralelo do meu personagem em Além do Horizonte com o principal vilão da história de George Lucas.

Como assim?

São dois personagens seduzidos pelo "poder", pelo "lado negro da força", e que se deixam envolver completamente por isso. Pelo desenrolar da novela até aqui, a personalidade obscura dele é meio Darth Vader. Aguardo mais informações e cenas dos autores, mas desde já acho interessante ter uma novela com um texto tão diferente no ar.  LC é um tipo misterioso e do qual sei muito pouco.

Do ponto de vista do ator, essa falta de informações ajuda ou atrapalha?

Depende da novela. No caso de Além do Horizonte, esses mistérios ajudam bastante. Conversei muito com os criadores da história e tive total liberdade de trabalho. De acordo com a minha conduta e com os subsídios que eles me deram, acabei conduzindo o LC a ter várias possibilidades. Por certo, o personagem tem algum desequilíbrio mental. Não acho nem que ele seja bipolar, mas pentapolar (risos). Ele pode ir da razão ao estágio de loucura em segundos. É um sujeito inteligente, que fez fortuna ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, abandona a família, é dado como morto, mas apenas partiu em busca de algo que faltava para a sua vida.

Sua carreira é marcada por personagens fortes e de composição, casos do Bartolo de Terra Nostra e Mohamed de O Clone. Em meio a tantos tipos, você acha que LC é o mais complexo que já interpretou?

<p>Antonio Calloni diz que gosta do lado obscuro de seu personagem</p>
Antonio Calloni diz que gosta do lado obscuro de seu personagem
Foto: Jorge Rodrigues Jorge / Carta Z Notícias

Ele vem apontando para isso. Por ser complexo, preciso me dedicar muito. Não que eu ache isso um problema, encaro qualquer trabalho de frente, mas a quantidade de texto e de cenas para gravar é bem grande. E, para estar no tom certo da trama, estudo muito.

Por conta dos problemas de audiência de Além do Horizonte, os autores mudaram algumas coisas da trama e o texto chega em cima da hora. Como isso interfere na rotina do elenco?

 Novela é um trabalho cansativo de se fazer. Todo mundo que faz televisão sabe disso. Os roteiros de gravação estão realmente um pouco confusos, mas está fluindo. Sem dúvida, está mais cansativo. Mas já passei pela mesma correria em tramas de êxito. Eu gosto muito do que vai ao ar, mas parece que a novela ainda não foi muito bem compreendida.

Você acha que o público de televisão está muito "careta"?

Acho que um pouco acomodado. Por isso, acredito ser muito interessante a emissora e os diretores apostarem em histórias que fogem do óbvio. Só assim é possível romper, criar novidades e formar novos públicos. Como ator, vou lá e faço o meu trabalho. Mas é claro que também me preocupo com a audiência. Toda a equipe é afetada quando um trabalho não vai tão bem no Ibope e isso vai além das alterações na trama ou de gravações. Não acredito em gente que fala: "não ligo para a audiência", "não ligo para críticas". É impossível ficar alheio a isso. Na medida em que eu não ligar para o que está acontecendo ao meu redor, estarei morto. E não quero isso por enquanto.

Nem todos os personagens tornam-se populares ou têm destaque na trama. Como você lida com esses "altos e baixos" da carreira de ator?

Eu estou sempre querendo me comunicar com o público. Uma vez que apareço no vídeo, estou suscetível a qualquer tipo de opinião. Por isso, busco o equilíbrio. Não deixo críticas negativas me afetarem a ponto de querer me matar. Da mesma forma que não me deixo levar por novelas e papéis de sucesso a ponto de me achar a melhor coisa do mundo (risos). Fora que êxito na profissão de ator é algo meio relativo.

Por quê?

Já fiz personagens de sucesso que não me deram o mesmo prazer de personagens menores em tramas de repercussão mediana. É claro que o carinho do público é bacana, mas, às vezes, um papel pequeno pode ter um texto tão bom e interessante que já garantem a minha vaidade como intérprete. Aconteceu isso, por exemplo, com o Padre José de Amazônia, de Galvez a Chico Mendes (2007). Ele aparecia pouco, mas, quando entrava em cena, era muito legal. José era um religioso que contava mentiras, casava pessoas à distância, fazia coisas bem estranhas. Pouca gente lembra dele, mas me marcou nesse sentido. Em Além do Horizonte, LC também vai deixar algumas lembranças em mim pelo caráter diverso da novela e tom do papel.

Romper com o que já está estabelecido é um dos temas mais fortes de Além do Horizonte. Você já passou por alguma experiência do tipo?

Acho que a primeira grande ruptura da minha vida foi mesmo largar o curso de Edificações na Universidade Mackenzie, em São Paulo, e começar a fazer cursos livres de Teatro. Cheguei até a entrar em outra faculdade, a de Sociologia, na USP (Universidade de São Paulo), mas aí desisti de novo ao sentir que eu queria mesmo era ser ator. Depois de escolher a profissão, veio mais uma grande mudança na minha vida, que foi fixar moradia no Rio de Janeiro. Isso já faz mais de 20 anos. Foi aqui que conheci minha mulher. Meu filho, inclusive, é carioca.

Ao mudar para o Rio, você acabou fortalecendo sua relação com a televisão, em especial, com a Globo. Algum personagem foi o culpado de você ter focado sua trajetória no veículo?

Acho que essa confirmação já veio com a minha estreia, em Anos Dourados, de 1986. A minissérie foi um estouro e isso repercute até hoje, nas reprises e na quantidade de gente que participou desse trabalho e está com a carreira muito bem encaminhada, casos de Malu (Mader), Felipe (Camargo) e Isabela (Garcia), entre outros. Todo mundo se deu bem e construiu sua história. Alguns anos depois, em O Dono do Mundo, só confirmei o que eu já sabia.

Transversal do tempo

A chegada dos 50 anos foi marcante para Antonio Calloni. Tanto que ele decidiu transformar suas experiências e impressões em livro. E, ao longo de 2014, além das gravações de Além do Horizonte, o ator e escritor viajará pelas principais cidades brasileiras para lançar 50 Anos Inventados em Dias de Sol. "50 anos é uma idade emblemática e que me faz passar a limpo toda a minha vida. Mas fui além. É uma junção de histórias e poesias que retratam o que vivi, mas também o que poderia ou gostaria de ter vivido. A narrativa me interessa mais do que a 'verdade'", conceitua.

Além de histórias de bastidores de toda a sua trajetória na tevê, boa parte da publicação é focada nas preparações do ator para Salve Jorge, onde interpretou o correto Mustafá. Ao relembrar personagens, viagens e tramas, Calloni admite que hoje se sente muito melhor do que há 20 anos. "Estou mais saudável e feliz. Não é aquela coisa de querer sair por cima, mas gosto mais de mim e compreendo melhor as coisas hoje em dia", justifica.

Olhar interno

Antonio Calloni confessa que dá muitos pitacos em tudo o que se refere aos seus personagens. Além de adotar um processo de composição muito pessoal, o ator costuma sugerir detalhes mais estéticos, como caracterização e figurino para as equipes das tramas. "Não gosto de me repetir. Por isso, mudo muito a cada novo trabalho. E, para estar seguro em cena, preciso me sentir bem com a roupa e tudo relacionado ao papel. Aí, negocio, converso, até chegar no melhor", explica. Em Além do Horizonte, por exemplo, foi dele a ideia de deixar barba e cabelos crescerem ao natural. Afinal, no caso de LC, largar tudo para trás para "sumir no mundo" merecia um visual diferenciado. "Ele deixou de ser um grande empresário para viver de mistérios. É preciso marcar essa 'troca' de vida. Isso me ajudou bastante a fazer o personagem. Acho que o ator tem obrigação de participar do processo de uma novela como um todo", ressalta.

Fonte: TV Press
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