Novela sertaneja termina com números que deixam clima de sofrência na Globo
‘Coração Acelerado’ mostra que um tema popular não garante a aceitação imediata do público
O sertanejo é o gênero musical mais consumido no Brasil, com 26% da preferência, segundo um estudo da Quaest em parceria com a Globo.
Apesar disso, a novela ‘Coração Acelerado’, baseada na temática ‘country’, teve desempenho abaixo do esperado.
O último capítulo será exibido no dia 14.
A média geral deverá ficar em 19.6 pontos. A antecessora, ‘Dona de Mim’, terminou com 21.3 pontos.
Houve perda de 8% de público na faixa das 19h, considerando a aferição da Kantar Ibope na Grande São Paulo.
Este índice representa a perda de 133 mil domicílios e a fuga de 340 mil telespectadores na região metropolitana mais populosa do país.
Nos últimos anos, a dramaturgia na TV aberta mostra que fórmula infalível é coisa do passado.
Está cada vez mais difícil compreender o sucesso ou o fracasso de uma produção.
Por que essa imprevisibilidade?
A identificação do telespectador passou a depender de fatores complexos de medir.
Tem a ver com o momento do país, o humor coletivo, a programação na concorrência e a reação nas redes sociais.
E, obviamente, da capacidade do texto e das atuações de despertar emoção e riso.
‘Coração Acelerado’ não apresentou nenhum grande erro. Teve momentos divertidos e boa trilha sonora, mas, no conjunto, não encantou.
Não há culpados.
Um dos protagonistas, Filipe Bragança, intérprete do pop star João Raul, apontou o preconceito de muita gente com o sertanejo.
Paradoxalmente, a mesma Globo vê no programa de causos e cantorias ‘Bem Sertanejo’, com Daniel, um êxito de audiência.
E a série ‘Rensga Hits!’, do Globoplay, focada no feminejo em Goiás, teve três temporadas com ótima repercussão.
Não dá para cravar o motivo da indiferença com ‘Coração Acelerado’.
Fica no ar a sensação de que a novela chega ao fim ao som de uma fossa amorosa entre a Globo e o público.
Mais sertanejo, impossível.
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