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Melhor novela no ar, Sete Vidas é um convite à felicidade

18 mai 2015 - 09h25
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Lígia e Miguel: amor impossibilitado pelas feridas do passado (Foto: Divulgação/TV Globo)
Lígia e Miguel: amor impossibilitado pelas feridas do passado (Foto: Divulgação/TV Globo)
Foto: Sala de TV

A novela das 18h da Globo, Sete Vidas, no ar desde o início de março, é um teste para quem vive em ritmo alucinado e se tornou refém do imediatismo.

A trama criada por Lícia Manzo pede ao telespectador que desacelere para enxergar o que, de tão óbvio, passa despercebido: a beleza das coisas triviais e a consciência plena de estar vivo, de amar e ser amado.

Amor, ódio e indiferença independem de ligação sanguínea, sugere o texto da autora. O que nos une não está no DNA, e sim no sentimento construído no dia a dia, ou na intensidade de situações inesperadas, como o amor à primeira vista entre os personagens Pedro e Júlia.

Seus intérpretes, Jayme Matarazzo e Isabeli Drummond, demonstraram química imediata como dois supostos meio-irmãos, filhos do mesmo doador de sêmen (Miguel/Domingos Montagner), que se descobrem apaixonados e vivem a culpa por um sentimento proibido.

O laço de parentesco já foi desmentido, mas o destino ainda os impede de ficarem juntos. A franqueza da interpretação de ambos raramente é vista em atores tão jovens. Prova não só do talento dos dois, mas também da sensibilidade de quem os dirige em cena.

Aliás, não há exceção: todo o elenco oferece um show de atuação. Destaque para Debora Bloch (Lígia), cuja personagem joga para o alto uma vida aparentemente plena e feliz, em razão de um sentimento do passado. Aos 51 anos, a atriz está no auge da maturidade artística e da beleza.

Sete Vidas não se ampara na manjada guerra entre mocinha e vilã vista na maioria das tramas. Não há polêmica gay nem o clichê 'quem matou?'

A matéria-prima da novela é uma só: o amor. O sentimento primordial aparece nas mais variadas composições.

O amor supostamente interdito. O amor adormecido. O amor neglicenciado. O amor incondicional. O amor próprio (e a falta dele). O amor que um dia acaba, como tudo nessa vida — até a própria, aliás.

O naturalismo dos diálogos e das ações dos personagens nos transporta da frente da TV. Parece que, a cada cena, o telespectador se torna testemunha — às vezes cúmplice — de uma cena real que acontece numa esquina qualquer ou ainda mais perto, dentro de nossa casa.

A iluminação é mais escura do que o habitual. Um belo recurso cinematográfico, mas às vezes o rosto dos atores fica na penumbra, dificultando a observação detalhada de suas expressões.

Certa vez, a grande atriz Yara Amaral, morta no naufrágio do Bateau Mouche no Réveillon de 1988, reclamou com o diretor ao ver uma cena que acabara de gravar: "Mas você não mostrou meus olhos!".

Ela tinha razão: o olhar de um ator pode ser mais expressivo do que as palavras; jamais deve ser ofuscado.

Em Sete Vidas optou-se por uma maquiagem naturalista, nada de cores fortes. O figurino é discreto. Os atores parecem gente como a gente, sem exageros estéticos.

A mesma filosofia 'menos é mais' se vê na vinheta de abertura, uma colagem de cenas aleatórias do cotidiano.

O cantor Thiago Iorc conseguiu a façanha de imprimir personalidade própria na versão folk de 'What a Wonderful World', eternizada na voz de Louis Armstrong.

A novela, assim como a música, indica que a felicidade está a um palmo do nosso nariz. Basta prestar atenção para enxergá-la. Sorte de quem a usufrui o quanto antes.

Sete Vidas é um sucesso inesperado de audiência. Sem alarde, a trama alcançou 19 pontos de média em suas primeiras dez semanas de exibição. A produção anterior, Boogie Oogie, teve média geral de 17.

Com direção de núcleo de Jayme Monjardim, a atual novela das 18h ficar no ar até o início de julho. O telespectador que embarcou na trama já começa a sentir saudade.

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