Manoel Carlos diz que não existe mais o "teste do sofá" na TV
Autor de Viver a Vida, Manoel Carlos afirmou, em entrevista à revista TPM deste mês, que não existe mais o "teste do sofá", como antigamente na TV. "Posso lhe garantir que existiu, e muito, nos anos 50 e 60, mas não existe mais. As mulheres já não são passivas como antigamente. Hoje elas denunciam", contou.
O termo surgiu nos bastidores da TV para designar atrizes que poderiam ser favorecidas na profissão por manter casos amorosos com seus superiores.
Sobre a profissão de atriz, Manoel Carlos disse que "é a melhor do mundo para a mulher". "Porque ela cria uma liberdade de a atriz ser prostituta,freira, honesta, desonesta. Os homens, de certa maneira, já têm na vida real um leque mais amplo de oportunidades", explicou.
O autor também não fugiu quando o assunto abordado foi drogas nos bastidores da TV. "Na época em que comecei, em 1951, as drogas consumidas eram a maconha e o lança-perfume. Muito inofensivas para o que veio depois. Cocaína era quase uma ficção. Mas ela chegou, como chegam todos os vícios, e fez um grande estrago por muito tempo. Hoje sabemos que o uso está bastante limitado. E 80% dos consumidores têm consciência dos males desse uso e procuram ajuda em clínicas especializadas."
Considerado mulherengo, Manoel Carlos disse que a experiência do casamento sempre foi boa em sua vida. "Fui muito feliz nos meus casamentos. Eles acabaram quando vimos que a felicidade estava acabando. Não arrastei nenhum cadáver. Tive coragem, e as minhas ex-mulheres também, de acabar com o casamento mesmo tendo filhos pequenos."
E o sexo? "Depois de certa idade, faz-se mais sexo com a cabeça do que com o resto do corpo. Mas existem recursos na medicina que prolongam a vida sexual de homens e mulheres com satisfação. O fundamental é não perder o desejo. Enquanto há tesão, há vida sexual ativa."
Manoel Carlos afirmou, ainda, que Viver a Vida pode ser sua última novela. "Desta vez estou imaginando que seja minha última novela. Tenho 76 anos e um filho de 17. Por mais que eu viva, não vivo mais 20 anos. Então, é preciso que eu pare. Tenho vontade de que seja a última sem nenhuma morbidez. A morte é a mais fiel das companheiras, pois nasce conosco, permanece ao nosso lado por toda a vida e nos leva quando tem que levar. Não a vejo com horror. Estou naquela idade em que vir a morrer não vai surpreender", disse.