Manoel Carlos assustava os atores com sinopse curta e capítulos entregues em cima da hora
Escritor que morreu aos 92 anos tinha um ritmo próprio para escrever os roteiros de suas novelas
O atraso de Manoel Carlos na entrega dos capítulos virou folclore na Globo. A equipe de produção, os diretores e os atores tinham os nervos testados quase toda semana.
Sem perder a peculiar tranquilidade, o autor argumentava que a novela ficava mais conectada com a realidade quanto ele escrevia fazendo referências a acontecimentos recentes. Por isso, não gostava de estar semanas à frente do que estava sendo exibido.
Outro motivo para o ritmo lento é que ele gostava de assistir à novela toda noite e fazer eventuais correções nos próximos scripts.
Mas a demora em enviar os roteiros gerava um corre-corre nos bastidores. Afinal, era necessário ter um cronograma de montagem de cenários, gravações externas e tempo para a edição.
Já o elenco reclamava por ter de decorar em cima da hora várias páginas de textos. Maneco criava longos diálogos, para o terror dos atores com dificuldade de memorizar rápido.
Em entrevista à GloboNews para comentar a morte do dramaturgo, Lilia Cabral lembrou de outra peculiaridade dele: a sinopse curta.
Geralmente, o autor prepara um resumo da novela com centenas de páginas, incluindo o perfil detalhado de cada personagem. Esse material serve de estudo antes do início do trabalho em estúdio.
Manoel Carlos era econômico nas descrições. Redigia apenas algumas linhas sobre cada tipo na trama. O ator ou atriz tinha de criar sua atuação com pouca informação e muito instinto, descobrindo características conforme lia os capítulos a cada semana.