Laura Cardoso foi genial em criar grandes atuações para personagens coadjuvantes
Atriz se tornou uma especialista em interpretar mulheres comuns com complexidade emocional
A velha cafetina Caetana de ‘O Outro Lado do Paraíso’, a carola com passado de quenga Dorotéia em ‘Gabriela’, a matriarca endurecida Laksmi de ‘Caminho das Índias’, a espiritualmente atormentada Guiomar de ‘A Viagem’, a amargurada caiçara Isaura de ‘Mulheres de Areia’, a misteriosa Marta de ‘Fera Radical’.
Todas elas, em comum, foram alçadas a grandes momentos em cena graças ao talento de sua intérprete, Laura Cardoso.
A atriz, morta aos 98 anos nesta terça-feira (18), desenvolveu a capacidade de sair da sombra de um papel coadjuvante para se agigantar diante das câmeras.
Cômica ou dramática, dócil ou rancorosa, a mulher interpretada por dona Laura jamais passava despercebida.
A atriz nunca foi musa nem diva. Fazia da aparência comum uma espécie de tela em branco para representar brasileiras de todos os tipos, da mais simples à mais sofisticada.
A artista sabia da importância do que entregava ao público.
Certa vez, quando um diretor a atrapalhou querendo trocar uma câmera de lugar no meio de uma cena em que ela tinha um longo texto comovente, se impôs.
Mandou que fechasse a imagem em seu rosto, sem cortes, deixando fluir sua emoção. Foi prontamente obedecida.
Além de ser referência de qualidade, Laura se tornou um exemplo de dignidade.
Sem estrelismo, sem ostentação, sem rixa com colegas.
Em outubro de 2025, já fragilizada pela idade avançada, inaugurou sua estrela na Calçada da Fama nos Estúdios Globo, no Rio.
Uma homenagem mais do que merecida a quem contribuiu tanto para o sucesso da teledramaturgia da emissora.
“Estou feliz, muito feliz”, disse.
Que agora receba os aplausos eternos.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.