Homens tóxicos revoltaram o público e receberam uma lição no fim de novelas
Personagens de novelas representaram diferentes perfis nocivos às mulheres
Nos últimos dias, a televisão brasileira discutiu a masculinidade a partir das falas polêmicas do ator Juliano Cazarré, criador de um curso para homens conservadores e religiosos.
Debates e matérias citaram também o movimento ‘red pill’, crítico ao feminismo e ao suposto favorecimento às mulheres em questões legais e sociais, além de defender a autossuficiência do homem.
A teledramaturgia da Globo já abordou tais questões por meio de personagens vilanizados.
A coluna relembra alguns, cujo comportamento tóxico ainda é comum e, consequentemente, alvo de condenação.
Marcos, ‘Viver a Vida’ (2009)
Milionário e charmoso, Marcos (José Mayer) parecia o homem perfeito para Helena (Taís Araújo).
Mas, logo após o casamento, a modelo percebeu que estava ao lado de um homem manipulador, com ciúme doentio e machista.
O empresário tentou convencê-la a abandonar a carreira para ser “do lar”. Mesmo jurando amor, traiu Helena na cama deles.
No desfecho da trama, Marcos se viu falido nos negócios, enfrentou o divórcio de Helena e não conseguiu apoio da ex-mulher e das filhas. Terminou solitário.
Baltazar, ‘Fina Estampa’ (2011/2012)
O motorista interpretado por Alexandre Nero personificava o machismo truculento. Maltratava a mulher e a filha. Numa cena, estapeou o rosto da esposa.
Quando finalmente conseguiu reagir, a dona de casa deu uma surra nele e o expulsou de casa. O covarde acabou na rua. Depois, arrependido e tentando se corrigir, passou a morar de favor com a ex.
Marcos, ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003)
O telespectador se encolhia no sofá a cada surra de raquete de tênis de Marcos (Dan Stulbach) em Raquel (Helena Ranaldi).
O marido agressivo ganhou ares de sociopata ao descobrir o interesse amoroso da esposa por um aluno bem jovem. No fim, ele sequestrou o rapaz e ambos morreram quando o carro caiu numa ribanceira.
A trama serviu de espelho da violência doméstica sofrida por milhões de brasileiras anônimas e alimentou o debate público que resultou na Lei Maria da Penha, sancionada três anos depois.
Leo, ‘A Favorita’ (2008/2009)
Catarina (Lilia Cabral) engolia a seco as humilhações, os xingamentos e as ameaças do marido bruto, Leo (Jackson Antunes).
Ele a chamava de “imprestável” e ridicularizava sua aparência cansada. Era igualmente cruel com os filhos.
Exausta dos maus-tratos, Catarina se libertou do casamento infeliz após ameaçar o marido com uma faca de cozinha. O crápula acaba preso por tentativa de estupro contra uma vizinha.
Ao sair da cadeia, enfrentou o desprezo de todos e se afundou no alcoolismo.
Oscar, ‘A Gata Comeu’ (1985)
Este é um caso em que o homem tóxico foi representado de maneira cômica.
Oscar (Luiz Carlos Arutin) fingia problemas de saúde para não trabalhar e ser paparicado pela mulher, Ceição (Dirce Migliaccio).
Enquanto ela lutava pelo sustento da família, o boa-vida ia passear pelas ruas do Rio, onde seduzia mulheres com sua conversa fiada.
Demorou para a verdade vir à tona. Quando descobriu que o marido era um mau-caráter, Ceição cortou as mordomias e o obrigou a trabalhar.
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