Guia: como visitar os cenários de O Agente Secreto
Filme indicado ao Oscar 2026 transforma espaços históricos do Recife em roteiro cultural
As quatro indicações de O Agente Secreto ao Oscar 2026 despertaram a curiosidade do público. Muitos brasileiros querem conhecer os cenários reais do longa.
A história se passa no Recife de 1977 e transforma espaços históricos em parte central da narrativa.
A cidade ganha protagonismo ao retratar memórias da ditadura militar, mistério urbano e perseguição política. O interesse cresceu após tours guiados levarem moradores e turistas aos locais das gravações.
Recife como cenário e personagem do filme
Dirigido com forte carga simbólica, o filme é estrelado por Wagner Moura, em seu primeiro longa em português desde 2017. A trama utiliza o centro histórico do Recife como elemento narrativo essencial.
Os cenários não servem apenas de fundo. Eles ajudam a contar a história e contextualizam o período vivido pelos personagens.
Avenida Rio Branco e a Folha de Pernambuco
O passeio começa na Avenida Rio Branco, no centro do Recife. No local, os participantes observam a fachada do antigo prédio do jornal Folha de Pernambuco.
Ali foi gravada a cena que noticia o caso da "Perna Cabeluda". A lenda urbana marcou os anos 1970 e é usada no filme como símbolo do medo coletivo.
Segundo relatos do tour, a história era associada a ataques no Parque 13 de Maio, espaço central da capital pernambucana.
Parque 13 de Maio e repressão histórica
Com 6,9 hectares, o parque aparece ligado a encontros interrompidos pela repressão. A pouca iluminação favorecia reuniões noturnas de casais e membros da comunidade LGBTQIAPN+.
De acordo com explicações do guia Everaldo Júnior, "boa parte desses encontros era interrompida por agentes da ditadura, que registravam 'ocorrências'". As informações foram publicadas pelo OperaMundi.
Esses registros eram depois divulgados como espancamentos misteriosos atribuídos à lenda urbana.
Ponte Buarque de Macedo e o Mate Brasília
O trajeto segue pela Ponte Buarque de Macedo, em direção ao Mate Brasília. A lanchonete, fundada em 1984, fica na Rua Alarico Bezerra.
No filme, o local serve como esconderijo do personagem Vilmar, vivido por Kayoni Venancio. A loja simboliza resistência em meio à degradação urbana do centro histórico.
Correios e vigilância política
Outro ponto importante é o prédio dos Correios, inaugurado em 1950, na Avenida Guararapes. No longa, o espaço representa o envio de um telegrama decisivo para a trama.
Na vida real, durante a ditadura, familiares de perseguidos evitavam o local. Muitas correspondências eram interceptadas pelo Dops, segundo relatos históricos citados pelo OperaMundi.
Ginásio Pernambucano e memória educacional
O tour atravessa a Ponte Princesa Isabel e segue para as ruas da Aurora e da União. Ali está o Ginásio Pernambucano, fundado em 1825.
O prédio é a escola pública mais antiga em funcionamento no Brasil. No filme, ele aparece como repartição pública onde Armando, personagem de Wagner Moura, se esconde sob identidade falsa.
Museu e arquivos do Dops
Dentro do complexo funciona o Museu Luiz Jacques Brunet. O espaço recebeu arquivos cenográficos que simulam fichas de identificação de pessoas monitoradas pelo Dops.
É ali que o personagem busca informações sobre a mãe. O local também reforça a importância histórica do prédio, por onde passaram nomes como Ariano Suassuna e Clarice Lispector.
Um roteiro entre cinema e história
Visitar os cenários de O Agente Secreto é mais do que seguir um filme. É um mergulho na história política, cultural e urbana do Recife.
O guia une cinema, memória e pertencimento. Para quem viu o filme, a experiência amplia o significado da obra. Para quem ainda não viu, o passeio funciona como convite à descoberta.